Jornalismo ameaçado por crise laboral

À semelhança de outras atividades, o Jornalismo está ameaçado pela crise em curso, que não é apenas sanitária, mas já é também laboral.
Numa altura em que o Jornalismo é mais fundamental do que nunca, há notícias diárias de fecho ou suspensão de publicações, reduções forçadas e poucas ou nenhumas receitas em muitos órgãos de informação regional, entrada em lay-off de empresas e grupos de dimensão nacional.

 

 

Ainda que possa ser a última solução, o lay-off resulta na diminuição efetiva da capacidade de produção jornalística, fragilizando ainda mais as já enfraquecidas redações de grande parte, senão da totalidade, dos órgãos de comunicação social portugueses.

Há anos que as redações se debatem com falta de jornalistas para fazerem melhor jornalismo e muito do trabalho realizado é feito em condições de precariedade laboral e financeira, que, neste contexto, se agravará.

O Sindicato dos Jornalistas considera que as medidas de apoio já aprovadas para o setor são insuficientes e considera que as que vierem a ser adotadas devem concentrar-se na preservação da capacidade jornalística dos meios de comunicação social e dos trabalhadores que a asseguram, os/as jornalistas.

O SJ estará atento aos lay-off no setor, exigindo uma rigorosa aplicação da lei e das regras e fazendo tudo o que estiver ao seu alcance para impedir que uma medida de alívio temporária venha a servir de expediente às empresas para acentuarem a tendência de encurtar redações.

Os jornalistas, homens e mulheres como outros quaisquer, estão entre os riscos do trabalho no terreno e as dificuldades do teletrabalho, tentando conciliar o trabalho com a vida pessoal e familiar, trabalhando jornadas contínuas para assegurar o direito dos cidadãos à informação.

O SJ presta-lhes homenagem, neste 1.º de Maio, agradecendo-lhes o cumprimento dessa nobre missão.