Morreu o jornalista Manuel Dias, sócio do Sindicato dos Jornalistas há 62 anos

Manuel Dias tinha 90 anos (Foto JN)Manuel Joaquim Ferreira Dias faleceu na terça-feira, no Porto, aos 90 anos. Nascido a 26 de junho de 1931, Manuel Dias, era sócio número 54 do Sindicato dos Jornalistas, no qual estava inscrito desde 2 de fevereiro de 1960, há 62 anos.
Começou a carreira no “Diário do Norte”, a 6 de janeiro de 1960, de onde saiu, sete anos depois, para o “Comércio do Porto”, também como repórter. A 1 de janeiro de 1970 passou a de redator, categoria profissional com que entrou no “Jornal de Notícias”, em abril de 1974.
Avesso a cargos de chefia, foi subchefe de redação durante cerca de três dos 26 anos que passou no JN, onde se destacou como um dos repórteres mais destacados da história do “Jornal de Notícias”.
“Prestigiado, muito discreto e educado, especializado em histórias de recorte social e humano, chegou à redação” portuense do JN “já era um homem feito, tinha 43 anos”, escreve o “Jornal de Notícias” no artigo a noticiar a morte de Manuel Dias, em que recorda palavras do jornalista. “Quando entrei no JN – era o dia 23 de Abril de 1974 -, vindo do “Comércio”, vinha carregado de esperança. O JN era um espaço de liberdade, quando ainda grande parte da Imprensa era afeta  ao regime do Estado Novo”.
Na redação do JN, Manuel Dias escreveu para a Sociedade e Política. A visita do Papa João Paulo II a Cuba e a cimeira Bush/Gorbatchov, em Helsínquia, foram momentos marcantes da vida do jornalista, disse o próprio, que dedicou grande parte da carreira a relatar a diáspora portuguesa.
“Ele era muito dedicado, muito mesmo, às comunidades portuguesas e aos nossos emigrantes e foi aí que se especializou”, conta Germano Silva, historiador do Porto e também colega de Manuel Dias no JN durante quase 25 anos. “Era muito discreto, muito educado, disciplinado, não se dava por ele, e gostava de andar sempre muito aprumado, era uma joia de pessoa e de jornalista”, diz Germano Silva. “E era muito atento, foi por exemplo o primeiro a entrevistar D. António Ferreira Gomes quando o bispo voltou do exílio de dez anos em Espanha”, recordou o jornalista e historiador, em declarações ao JN.
Essa dedicação aos emigrantes foi reconhecida em 1996, com a atribuição da Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas. A cerimónia decorreu na redação do JN. “Talvez esta Medalha de Mérito devesse ter como destinatário a emigração portuguesa”, reagiu Manuel Dias..
Além de jornalista, numa vida dedicada às letras, Manuel Dias escreveu livros, deixando um vasto espólio sobre o 25 de abril, o “28 de Maio – Uma revolução com muitas revoltas”, os emigrantes e milhares de páginas no JN.
À família e amigos, o Sindicato dos Jornalistas apresenta as mais sentidas condolências.
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