Jornalistas ucranianos impedidos de noticiar protestos

Os jornalistas têm sido impedidos de noticiar os protestos que se seguiram às altamente contestadas eleições ucranianas, denunciou a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), apelando às autoridades da Ucrânia para que acabem com esta intimidação e permitam que os repórteres façam o seu trabalho livremente.

Segundo o observador eleitoral da FIJ em Kiev, nos principais canais televisivos ucranianos as notícias são controladas pelos “temniki”, funcionários do Estado que dizem aos jornalistas como relatar os acontecimentos.

Por esse motivo, a 21 e 22 de Novembro, quatro pivots da televisão “1+1” recusaram-se a apresentar a cobertura das eleições devido à censura “crua” das notícias, o que levou à não transmissão de boletins noticiosos inteiros.

Já nos canais televisivos “Inter” e “UT1”, os jornalistas fizeram greve e juntaram-se à “revolução laranja” nas ruas de Kiev (o laranja foi a cor da campanha de Viktor Yushchenko, o candidato da oposição).

Em relação à imprensa escrita, a FIJ destaca que os jornais “Silski Visti”, “Yuzhnaya Pravda” e “Den” viram a sua distribuição bloqueada na semana anterior à eleição, respectivamente a 16, 18 e 20 de Novembro, enquanto 500 exemplares do “Panorama” foram apreendidos por pessoas não identificadas.

Na noite das eleições, o candidato governamental Viktor Yanukovich foi anunciado como vencedor por uma margem inferior a 3%, mas, segundo a FIJ, as sondagens à boca das urnas sugerem a vitória do candidato da oposição por cerca de 10% e existem provas de fraude eleitoral.