Ameaça de greve na Reuters

Os jornalistas da Reuters estão dispostos a partir para a greve caso a administração concretize o anúncio feito na passada semana de efectuar despedimentos nos sectores de imagem, gráficos, resultados desportivos e “News2Web”, e ponderar mais dispensas para Dezembro.

Esta vontade foi expressa por 84% dos trabalhadores que participaram num escrutínio informal realizado pela delegação do Sindicato Nacional de Jornalistas britânico (NUJ) nos escritórios da empresa em Londres.

Apesar do escrutínio não ser vinculativo para avançar com um pré-aviso de greve – é preciso cumprir regras para convocar uma paralisação no Reino Unido – o NUJ afirma que tais medidas “vão provocar danos irreparáveis” à reputação da empresa, já que “a marca Reuters depende da qualidade do seu jornalismo.”

Segundo o NUJ, os despedimentos na Reuters prendem-se com a mudança dos centros de operações para economias mais baratas, como as da Ásia, no âmbito de um programa interno chamado “Fast Forward”, que pretende poupar 440 milhões de libras (630 milhões de euros) por ano, dos quais 340 milhões de libras (485 milhões de euros) serão fruto de despedimentos.

“Os gestores querem despedir jornalistas com provas dadas e que serviram bem a agência. É graças a esses jornalistas que a Reuters tem a reputação que tem num mercado altamente competitivo”, afirma Barry Fitzpatrick, do NUJ, para quem “está na altura da agência ouvir os seus trabalhadores e parar com o corte nas despesas à custa da qualidade”.