UE dificulta entrada a jornalistas árabes

A burocracia exigida aos jornalistas oriundos do Médio Oriente que queiram entrar na Europa deu origem a um protesto conjunto da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) e da Federação de Jornalistas Árabes.

Durante um encontro realizado em Bruxelas na terceira semana de Outubro, as duas entidades concluíram que a demora na concessão de vistos constitui uma restrição à liberdade de movimentos que frustra o trabalho dos jornalistas e contribui para acentuar desentendimentos entre as comunidades, fazendo sentir aos jornalístas árabes que não são bem-vindos na Europa.

Com vista a conseguir prioridade na concessão de vistos quando estes se destinarem a jornalistas em trabalho, a FIJ escreveu a Franco Frattini, comissário europeu para a Justiça e os Assuntos Internos, e ao director-geral da UNESCO, Koïchiro Matsuura.

Para Aidan White, secretário-geral da FIJ, o trabalho dos repórteres num país estrangeiro muitas vezes incrementa o jornalismo de qualidade, o que é essencial num momento em que “o preconceito, os estereótipos e a ignorância tendem tantas vezes a dominar as manchetes”.

Para a FIJ, a actual situação lembra o período em que a União Soviética fechou as suas portas aos jornalistas ocidentais, sendo surpreendente que países que no passado criticaram ferozmente as “sociedades fechadas” tenham agora uma atitute semelhante.