Testemunha do caso Gongadze morre horas antes de audiência

O ex-ministro ucraniano do Interior, Yuri Kravchenko, de 53 anos, foi encontrado morto em casa a 4 de Março, horas antes de uma audiência com o procurador público no âmbito da investigação ao assassinato do jornalista Gyorgy Gongadze. Aparentemente, o ex-governante ter-se-á suicidado.

“Este é um revés inquietante para a investigação. As autoridades comprometeram-se a resolver o caso mas falharam na protecção a uma testemunha-chave”, afirmou Arne König, presidente da Federação Europeia de Jornalistas (FEJ), que instou o executivo de Viktor Yuschenko a garantir a segurança de todas as testemunhas importantes e assim demonstrar a credibilidade do novo governo.

Igualmente indignados com o caso, Igor Lubchenko, presidente do Sindicato Nacional de Jornalistas da Ucrânia, e Sergey Guz, presidente do Sindicato Independente dos Média da Ucrânia, declararam que “os jornalistas não vão ficar satisfeitos apenas com a condenação dos assassinos. Os que deram as ordens também têm de ser levados perante a justiça. Só então acreditaremos que a impunidade acabou e que o Estado é capaz de proteger os seus jornalistas”.

Yury Kravchenko era ministro do Interior aquando do assassinato de Gyorgy Gongadze e a sua voz aparece nas cassetes em que o ex-guarda-costas presidencial Mykola Melnychenko terá alegadamente gravado uma conversa de Leonid Kuchma acerca da morte do jornalista.

Numa semana marcada por este alegado suicídio, ocorrido dois dias depois do ataque a outra testemunha do caso, alguns políticos ucranianos pediram ao governo que prendesse o ex-presidente Leonid Kuchma e outras figuras de topo implicadas no processo, de modo a garantir que sejam presentes a tribunal.