Tentativa frustrada de buscas no “Canard Enchaîné”

O juiz Thomas Cassuto tentou a 11 de Maio, sem sucesso, efectuar buscas nas instalações da revista satírica francesa “Canard Enchaîné”. O magistrado pretendia descobrir as fontes de informação de um artigo sobre o caso Clearstream, respeitante à circulação de uma lista falsa de beneficiários de um alegado contrato de defesa e onde estava incluído o nome de Nicolas Sarkozy, ao que tudo indica para sabotar a sua campanha presidencial.

Thomas Cassuto chegou às instalações do jornal às 9h30, mas os redactores recusaram-se a abrir-lhe a porta. O juiz ainda recorreu aos serviços de um especialista em fechaduras, mas acabou por desistir e abandonou o local às 12h30 em virtude da presença de muitos jornalistas.

A acção judicial foi criticada pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que lamentou que em França continuem a ser frequentes as buscas às redacções, “apesar de o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos ter, em várias ocasiões, reafirmado o princípio da inviolabilidade da confidencialidade das fontes”.

“Os jornais publicam informação que inevitavelmente perturba autoridades de todos os tipos. É uma luta de poder inevitável”, afirmou o editor da “Canard Enchaîné” Claude Angeli, sublinhando que, embora a França “não esteja na situação de outros países, como os Estados Unidos, em que os jornalistas são presos por se recusarem a revelar as fontes”, este tipo de pressão sobre as redacções “é, não obstante, intolerável”.