Serviços secretos romenos admitem escutas a jornalistas

O chefe dos serviços secretos romenos, Radu Timofte, admitiu a 26 de Janeiro à agência noticiosa Mediafax que tinha colocado sob escuta os telefones de dois jornalistas, cujos nomes e locais de trabalho se recusou a revelar por serem suspeitos de espionagem.

A revelação surgiu dois dias depois do diário “Ziua” ter publicado uma cópia de uma carta datada de Outubro de 2003 em que o director dos serviços secretos no Ministério do Interior, Virgil Ardelean, propunha a colocação de escutas nos telefones das agências Mediafax e AM Press, para descobrir se um inspector andava a passar informações a “pessoas não autorizadas”.

É a primeira vez que os serviços secretos – fundados em 1990, em substituição da Securitate – admitem publicamente escutas telefónicas a jornalistas, apesar de serem muitas vezes acusados de espiar os média.

O caso mereceu a reprovação da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que considerou ter havido violação do direito de não revelação das fontes jornalísticas e instou o governo romeno a observar os padrões europeus, nomeadamente o artigo 10º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.