Rússia incomodada com a cobertura do conflito na Chechénia

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo considera que a cobertura jornalística do conflito na Chechénia que tem sido realizada pelos órgãos de comunicação social suecos está a fomentar a violência.

A embaixada russa em Estocolmo criticou a agência noticiosa independente “TT” por ter publicado uma entrevista com o líder rebelde checheno Shamil Basayev, a 21 de Março, alegando que essa matéria levou a que um veículo diplomático russo fosse incendiado no dia seguinte.

A posição diplomática tem lugar após Moscovo intensificar os seus esforços para impedir que os órgãos de comunicação europeus divulguem notícias independentes acerca do conflito.

Já a 3 de Fevereiro o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo solicitara às autoridades britânicas que impedissem a estação televisiva Channel 4 de difundir uma entrevista com Shamil Basayev, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico respondido que não interferia com a política editorial da estação.

Diplomatas russos apelaram também às autoridades suecas para que encerrassem o sítio KavkazCenter, alojado na Internet e considerado favorável aos rebeldes chechenos.

Comentando estas solicitações, o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) sublinhou que as autoridades russas podem criticar o material publicado, mas não têm o direito de solicitar aos governos de outros países que silenciem os órgãos de comunicação social que acompanham a guerra na Chechénia.

De acordo com a agência France-Presse, o porta-voz da embaixada russa, Sergey Petrovich, afirmou que o seu país está contra o facto de uma agência noticiosa “permitir que um terrorista como Basayev fale livremente através da comunicação social sueca”, acrescentando que existe “uma ligação entre a entrevista e o acto terrorista” de incendiar a viatura diplomática.

Por seu lado, o chefe de redacção da “TT” rejeitou qualquer ligação entre as duas ocorrências, sublinhando que o papel dos média independentes é “oferecer aos leitores uma leitura tão completa quanto possível dos conflitos”.