Polícia francesa efectua buscas em dois jornais

A polícia francesa revistou e apreendeu material de trabalho nas redacções dos jornais “Le Point” e “L’Équipe”, a 13 de Janeiro, no âmbito de um processo sobre a alegada “violação à confidencialidade de uma investigação” acerca de um escândalo de doping que envolve a equipa de ciclismo Cofidis.

O “Le Point” terá violado a confidencialidade da investigação ao publicar, na sua edição de 22 de Janeiro de 2004, excertos de escutas telefónicas ordenadas por um juiz no âmbito do caso da Cofidis, enquanto o “L’Équipe” divulgou, a 9 de Abril, extractos de entrevistas oficiais a ciclistas daquela equipa que estão sob investigação.

No “Le Point”, a polícia confiscou os computadores dos jornalistas Olivia Recasens e Jean-Michel Décujis, numa tentativa de identificar as suas fontes na história de doping.

As buscas aos periódicos, ambas ordenadas por magistrados, foram condenadas pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), pela Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) e pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que as consideraram um ataque ao direito de protecção das fontes.

“Ao que tudo indica, a polícia revistou os arquivos dos jornais para tentar obter nomes e pormenores sobre as pessoas que têm falado com os jornalistas acerca desta história. Isso é usar os repórteres como força policial involuntária e ameaça a liberdade de imprensa, pois faz com que as pessoas tenham medo de falar com os jornalistas”, afirmou Aidan White, secretário-geral da FIJ.

A FIJ defende que os jornalistas têm um interesse profissional legítimo nestes casos e não devem sofrer qualquer intimidação por os relatarem, tendo Aidan White recordado casos similares, como o do alemão Hans-Martin Tillack.