“Jornalistas-cidadãos” podem prejudicar jornalistas freelance

A aposta nos “jornalistas-cidadãos” pode estar a pôr em causa as oportunidades de trabalho dos jornalistas freelance, razão pela qual o Sindicato Nacional de Jornalistas do Reino Unido e Irlanda (NUJ) está a compilar um código de conduta que regule a forma como os jornalistas trabalham com esses cidadãos.

O código irá abordar questões como a segurança, os direitos de autor, o pagamento e a responsabilidade legal das imagens enviadas por esses cidadãos, que o NUJ prefere apelidar de “testemunhas cidadãs” ou “colaboradores testemunhas”, já que os envolvidos não são, por definição, verdadeiros jornalistas.

Um caso exemplificativo de “jornalistas-cidadãos” que podem estar a prejudicar os jornalistas freelance ocorre no jornal “The Guardian”, onde duas páginas da edição de sábado passaram a ser feitas com colaborações de leitores, as quais são editadas por jornalistas da redacção.

Apesar de reconhecer que a interacção com os leitores é um bom princípio, a jornalista freelance Hilary Maskell está preocupada com o facto de determinadas áreas – sobretudo as secções de viagens – estarem a ser entregues a esses leitores em detrimento dos jornalistas freelance.

Chris Elliott, editor-executivo do “The Guardian”, tenta serenar as preocupações, dizendo que o jornal não está determinado a usar menos freelances, mas antes a ter “maior interactividade com os leitores”.

Rendimentos de jornalistas freelance cada vez mais baixos

Esta polémica tem lugar pouco depois de um estudo do NUJ ter revelado que muitos jornalistas freelance, sobretudo os fotojornalistas, estão a ganhar muito mal, uma situação com tendência a piorar.

Aos baixos pagamentos praticados pelos órgãos de comunicação é preciso juntar despesas que, não raramente, saem do bolso dos jornalistas, como os custos do equipamento de trabalho, os custos de deslocação, os impostos, os pagamentos a contabilistas e as perdas de rendimento devido a problemas de saúde.

Perante esta situação, John Toner, responsável do NUJ para os jornalistas freelance, afirma que o sindicato britânico “vai planear uma estratégia para levar por diante uma campanha eficaz” para defender estes profissionais, para que eles deixem de ser “o parente pobre da indústria”.