Greves em Itália com apoio da FEJ

A Federação Nacional da Imprensa Italiana (FNSI) inicia esta sexta-feira, 29 de Setembro, uma série de greves contra a recusa dos proprietários de jornais em renegociar o contrato colectivo de trabalho.

Os sindicatos italianos tentaram iniciar conversações ao longo dos últimos 12 meses, depois de o último acordo ter expirado em Março de 2005, e o ministro do Trabalho transalpino apelou a ambas as partes para que chegassem rapidamente a um consenso, mas os empregadores recusam sentar-se à mesa das negociações se a agenda incluir temas como o combate ao desemprego, a flexibilidade laboral ou a situação dos freelancers.

De acordo com os proprietários de jornais, a imprensa moderna tem de lidar com desafios como a convergência tecnológica, a redução dos lucros comerciais e os problemas de circulação, pelo que “a flexibilidade e os salários são elementos essenciais para uma nova estratégia do sector”.

Os proprietários da imprensa afirmam-se disponíveis para respeitar o anterior contrato colectivo, mas consideram que “as condições para um novo acordo não se justificam”, ao que a FNSI responde que as propostas avançadas pelo patronato implicam “uma redução de 30 por cento nos salários e causam um sério enfraquecimento do acordo colectivo anterior”.

Em apoio da FNSI, a Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) sublinhou que “o comportamento dos empregadores pouco fará pela evolução do sector”, na medida em que “os cortes nos custos editorais vão causar um declínio de qualidade nos jornais e diminuir a capacidade da imprensa para enfrentar a crise que a afecta”.

“Os sindicatos não são insensíveis aos tempos de mudança que se vivem, mas eles sabem que não há bom jornalismo sem boas condições de trabalho”, salienta a FEJ, reforçando que “os proprietários de jornais europeus que têm trocado os acordos colectivos por contratos precários causaram sérios danos ao sector”.

Recorde-se que a imprensa escrita diária e as agências noticiosas vão paralisar nos dias 29 e 30 de Setembro, bem como a 5 e 6 de Outubro, enquanto os meios audiovisuais públicos e privados têm greve prevista para 6, 7, 24 e 25 de Outubro.