Greve no “Libération” durou quatro dias

O anúncio de 52 despedimentos levou os trabalhadores do diário francês “Libération” a cumprirem quatro dias de greve, entre 21 e 25 de Novembro, um acontecimento inédito na história do título fundado em 1973 por Jean-Paul Sartre, Serge July, Philippe Gavi, Bernard Lallement e Jean-Claude Vernier.

O diferendo entre a direcção e os trabalhadores foi resolvido a 25 de Novembro, após uma noite de negociações em que ficou decidido dar prioridade às saídas voluntárias – prática habitual em anteriores crises do título – e proceder a reclassificações no interior da empresa.

O entendimento entre as partes foi saudado pelo Conselho de Vigilância do “Libération”, que embora reconheça a necessidade de accionar um plano de recuperação da empresa devido à quebra de receitas publicitárias, frisou que não aceitará que o jornal seja privado dos meios necessários para continuar a ser um diário de qualidade e com independência editorial.

A greve dia-a-dia

Os mais de 200 trabalhadores do “Libération” souberam dos 52 despedimentos no título pelos delegados do Sindicato Nacional dos Jornalistas (SNJ), da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e do SUD, perto das 13 horas de 21 de Novembro, tendo então votado a favor de uma greve de 24 horas.

No dia seguinte, ao meio-dia, decidem prosseguir a greve e colocar o sítio Internet em “hibernação”. Nesse mesmo dia, às 15h30, o director-geral Serge July afirma em reunião com os trabalhadores que não há solução para a crise no “Libération” sem um plano de saídas e de supressões de postos de trabalho, ao que os trabalhadores respondem que a greve prosseguirá até que se encontre outro plano.

A 23 de Novembro, os trabalhadores, reunidos em assembleia geral, decidem continuar a greve pelo terceiro dia consecutivo (com três votos contra e quatro abstenções), e criam o sítio www.libelutte.org com o objectivo de explicar aos leitores os motivos da contestação no título.

A 24 de Novembro, o dia começa com uma reunião extraordinária do comité de empresa e os representantes sindicais dizem que, com base em saídas voluntárias, é possível suprimir 28 lugares na redacção, como pretende a administração. Porém, tal apresentava o risco de dividir os trabalhadores entre jornalistas e não-jornalistas, razão pela qual se voltou a votar a continuação da greve, que foi aprovada com 15 votos contra e 8 abstenções.

Após uma noite de negociações entre representantes sindicais e a direcção, a greve é suspensa a 25 de Novembro, com 5 votos contra e 13 abstenções, tendo o diário regressado às bancas no dia seguinte, acompanhado de um suplemento de quatro páginas a explicar as causas da greve.

Não obstante o fim da greve, o sítio do “Libération” não foi actualizado durante o fim-de-semana, em virtude de falhas técnicas provocadas, ao que tudo indica, pela intensa queda de neve que afectou a França.