Ano de 2005 foi mortífero para os jornalistas

Os relatórios do Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e do Instituto Internacional para a Segurança da Imprensa (INSI) sobre as mortes de jornalistas em 2005 são unânimes em considerar o ano transacto como um dos mais mortíferos para a classe, apesar das diferenças nos números apresentados e nas metodologias de contagem utilizadas.

O documento do CPJ destaca que, dos 47 jornalistas mortos em 2005, mais de três quartos foram fruto de assassinatos com o objectivo de silenciar ou punir o trabalho crítico desenvolvido pelas vítimas. Este dado é ainda mais preocupante se tivermos em conta que a organização detectou também uma tendência de longo prazo para a impunidade dos assassinos de jornalistas.

Continuando a considerar o Iraque como o local mais perigoso para os jornalistas em 2005 – este ano devido mais aos assassinatos do que ao conflito armado –, o CPJ afirma que de 2004 para 2005 houve um ligeiro declínio no total de mortes de jornalistas, uma contagem diferente da efectuada pela RSF, segundo a qual o total mundial de jornalistas mortos passou de 53 para 63, o que faz de 2005 “o ano mais mortífero da última década”.

Opinião idêntica tem o INSI, que registou 146 mortes de jornalistas em 28 países, inserindo na sua contagem o desastre de avião que vitimou 48 jornalistas e trabalhadores dos média no Irão e que, a par do conflito prolongado no Iraque, “nos lembra dos riscos diários que os jornalistas correm para manter o mundo informado”, afirmou o director da organização, Rodney Pinder.

A lista completa do CPJ sobre jornalistas mortos em 2005, com detalhes sobre cada caso, está disponível em http://www.cpj.org/killed/killed05.html.

A lista do INSI está em http://www.newssafety.com/casualties/2005.htm.

Já os dados da RSF estão em http://www.rsf.org/IMG/pdf/Roundup_2005_Eng.pdf.

Outros dados importantes

A RSF registou ainda cinco trabalhadores dos média mortos em 2005, pelo menos 807 jornalistas presos ao longo do ano, 1308 atacados ou ameaçados fisicamente e 1006 órgãos de informação censurados, metade dos quais no Nepal.

Ainda segundo a organização, a 1 de Janeiro de 2006 estavam presos 126 jornalistas por todo o mundo, com a China, Cuba e Etiópia a representarem os casos mais preocupantes.

Já o CPJ deu conta de dois jornalistas desaparecidos durante 2005 e da diminuição de mortes de jornalistas nas Filipinas, parcialmente devida a uma acção concertada das autoridades, e nas Américas, em parte relacionada com um aumento da autocensura.

A organização continua a investigar 11 outros casos de jornalistas mortos durante 2005, por forma a determinar se essas mortes estão relacionadas com o seu trabalho.

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