Violência em Paris atinge jornalistas

A onda de violência que assola a França desde há duas semanas já atingiu também os jornalistas que tentam cobrir os acontecimentos. O caso mais grave foi o de uma profissional coreana que teve de ser hospitalizada após uma agressão.

O incidente deu-se às 17 horas de 5 de Novembro, quando Mihye Kim, da estação pública coreana KBS, foi atacada por cinco jovens em Aubervilliers quando acabava de entrevistar residentes perto de um armazém que fora incendiado na noite anterior.

“Disseram-me que eu não tinha o direito de filmar no território deles e, como tal, exigiram-me dinheiro. Como recusei, tentaram tirar a câmara ao meu operador de câmara e agrediram-no. Quando recuperei a câmara, pontapearam-me na cabeça”, relatou a jornalista à Repórteres Sem Fronteiras (RSF), dizendo compreender agora porque é que os residentes têm medo de dar entrevistas.

A polícia acorreu aos gritos de socorro de Mihye Kim e conseguiu pôr os agressores em fuga. A jornalista, que havia perdido os sentidos, foi transportada para o hospital, onde passou a noite em observações, tendo alta no dia seguinte.

Este caso não foi o único: a 4 de Novembro o operador de câmara Mady Diawara, da France 3, foi atingido na cabeça por uma pedra quando fazia uma reportagem sobre o fim do Ramadão em Montfermeil, e na noite de 2 de Novembro uma equipa de reportagem da France 2, constituída por três elementos, foi atacada por dezenas de jovens em Aulnay sous Bois e forçada a abandonar o veículo, que foi incendiado.

Em declarações à RSF, Elaine Cobbe, da estação norte-americana CBS, afirmou que já não envia operadores de câmara para filmar os motins, porque “é demasiado perigoso”, tendo optado por usar as filmagens das agências noticiosas.

No entanto, a acção violenta dos jovens parece dirigir-se sobretudo para os jornalistas gauleses, a fazer fé nos testemunhos do suíço Jacques Allaman, da Radio Suisse Romande, e do português Daniel Rosário, que conseguiram entrevistar jovens dos subúrbios de Paris depois de frisarem que não eram franceses.

Para a RSF, esta situação é extremamente preocupante, porque “as demonstrações abertas de ódio para com os jornalistas franceses resulta de uma identificação da imprensa com as autoridades”.