Um “influencer” não é um jornalista. SJ exige à FIFA condições de trabalho dignas

O Sindicato dos Jornalistas não tem qualquer pretensão de impedir ou obstaculizar a FIFA de promover e capitalizar o negócio do futebol como entender. Mas exigimos as condições de trabalho necessárias à cobertura de eventos futebolísticos, como é o caso do Campeonato do Mundo, a decorrer atualmente na América do Norte.

Os jornalistas têm de dispor de espaços de trabalho condignos, com os meios necessários para o exercício da profissão. Isto implica não haver (como se vem repetindo após os jogos de Portugal) um direto com perguntas jornalísticas interrompido por interlúdios de comédia, que, sem aviso ou justificação, contribuem para confundir quem vê e ouve.

O afã da FIFA em promover o futebol não deve atropelar as regras mais elementares e é imperioso que a organização máxima do futebol mundial respeite o papel fundamental que o jornalismo tem na sociedade. No caleidoscópio atual de formas de comunicar, que se descomprometeram de regras claras de rigor e transparência, o jornalismo é essencial para fazer face a meios de promoção individual ou de negócios. E a confusão medra quando a FIFA permite que haja jornalistas, humoristas, “influencers” e outras pessoas estranhas à profissão em zonas que deveriam ser exclusivas para trabalho jornalístico, como as “flash interviews” e conferências de imprensa. Conta o local e as pessoas que se autorizam a estar lá com um microfone na mão.

O SJ compreende que a Babel comunicacional dos novos tempos tem muitos modos e formas, mas o jornalismo, independentemente das plataformas em que se expressa, tem sempre as mesmas exigências de rigor, de ética e de respeito pelas fontes e pelos cidadãos. “Comunicadores”, sejam humoristas ou comentadores, não têm as nossas obrigações deontológicas, por isso leem mensagens privadas em programas de televisão, fazem piadas grosseiras, machistas e racistas ou tremem quando têm de questionar o capitão da seleção nacional.

Esta posição será transmitida à Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) e à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ). Estaremos em contacto com sindicatos de outros países para, em conjunto, encontrar uma forma de priorizar o exercício do jornalismo, dos maiores aos mais pequenos eventos, exigindo que haja uma clarificação transparente do trabalho de cada um, e que os exercícios de promoção comercial não atrapalhem a função jornalística, que é essencial à democracia.

Porque o público tem direito a saber a diferença entre jornalismo e entretenimento, de forma evidente e clara, as grandes instituições, como a FIFA, a nível mundial, ou a FPF, a nível nacional, podem ser determinantes na questão. Para apoiar a informação ou para a tentar sufocar. A escolha é fácil!

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