TV pró-oposição impedida de difundir na Ucrânia

A estação televisiva local LOT, de Lugansk, na Ucrânia, ligada à oposição, foi impedida de difundir a sua programação a 14 de Maio, não sendo claro se se trata de um caso de censura ou de incumprimento do acordo com a estação pública.

Rodion Mirochnyk, administrador da LOT, que tinha um acordo de transmissão com a estação regional pública ucraniana LOSTRC até este ano, queixa-se de que o governo quer silenciar “aqueles que pensam de modo diferente”, alegando perseguição política por o principal accionista da LOT ser Valentine Dzon, uma figura da oposição.

Por seu lado, Oleg Nedolsin, director interino da LOSTRC, alega que os programas da estação só foram retirados do ar devido a irregularidades no pagamento por parte da LOT, que durante a anterior governação terá beneficiado de fundos públicos extremamente favoráveis, sendo-lhe agora exigida a devolução de mais de 25 mil euros.

O caso da LOT ocorre após o controverso processo de cancelamento da licença atribuída à estação televisiva privada NTN, que se queixou de “obstrução política” a 31 de Março vindo a ganhar a causa junto do Supremo Tribunal Económico a 28 de Abril.

A 17 de Março, o governo informou que ia reexaminar a atribuição de licenças aos média regionais, por considerar não fazer sentido que “78 por cento das frequências da televisão e rádio regionais estejam a ser usadas por privados”.

Face à situação da LOT e às suspeitas de censura, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) recorda que o presidente Viktor Yushchenko “fez do respeito pela liberdade de imprensa uma das suas prioridades eleitorais”, pelo que “encerrar uma estação da oposição lesa o pluralismo noticioso e informativo”.

Tendo em conta o caso da NTN, a RSF acentua que “LOT é a segunda estação pró-oposição a ser ameaçada pelas autoridades” e apela a que o processo de atribuição de licenças seja feito com transparência e justiça de modo a que os jornalistas não sejam prejudicados por querelas políticas.