Tribunal conclui que James Miller foi assassinado

O jornalista britânico James Miller foi assassinado por um soldado israelita a 2 de Maio de 2003, em Rafah, na Faixa de Gaza, concluiu a 6 de Abril o Tribunal de Saint Pancras, em Londres, após três dias de audiências.

As sessões ficaram marcadas pela falta de colaboração das autoridades israelitas, tendo Louise Christian, advogada que representa a família de James Miller, afirmado já fora do tribunal que o militar responsável pela morte do documentarista britânico deveria ser extraditado para o Reino Unido ao abrigo da Convenção da Genebra, de modo a ser julgado.

“A família [de James Miller] quer que o procurador geral encare este assunto não de uma forma política, mas de uma forma legal. Houve um desrespeito da Convenção de Genebra: não é uma questão de diplomacia, é uma questão de lei”, disse a causídica.

Em declarações à imprensa, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Kim Howells, disse não estar surpreendido com o veredicto, reiterou o apoio ao pedido de indemnização dos familiares e revelou-se desapontado por a investigação militar israelita não ter responsabilizado ninguém pela morte do jornalista.

Recorde-se que há um ano, a 14 de Abril de 2005, o tenente das Forças de Defesa de Israel que matou James Miller com um tiro no pescoço – entre o capacete e o colete à prova de balas – não sofreu quaisquer sanções disciplinares após um inquérito militar.

Jornalista premiado, Miller, de 34 anos, estava em Gaza a filmar o documentário “Morte em Gaza”, sobre o impacto da violência nas crianças de um campo de refugiados palestinianos, o qual recebeu em Abril de 2005 um prémio BAFTA para Melhor Programa de Actualidade.