TiN comunica despedimento coletivo e pede às pessoas para continuarem a trabalhar sem receber

A Direção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) foi confrontada com a dramática notícia do despedimento, sexta-feira, 25 de julho, de todos os trabalhadores do grupo Trust in News (TiN), proprietária de títulos como a “Visão”, “Jornal de Letras” e “Caras”, entre outros. É um desfecho que começou a desenhar-se há meses e cujos reais contornos devem ser apurados em todas as dimensões, desde a jornalística, à económica, financeira, política e até judicial.

Na ressaca da violenta comunicação do administrador de insolvência da TiN, que entregou, presencialmente, um pré-aviso de despedimento aos cerca de 80 trabalhadores da empresa, ressalta uma postura incompreensível e intolerável. No momento em que se abriu um buraco sem fundo debaixo dos pés das pessoas, foi-lhes pedido que continuassem a trabalhar para manter vivos os títulos, com o argumento de gerar receita, apesar de não ser dada qualquer garantia de remuneração. Teme o SJ, que se esteja a preparar uma venda a preço de saldo, sem “o inconveniente e o incómodo” de existirem pessoas a quem pagar salários e garantir direitos.

Como o prazo do pré-aviso vai de 30 a 75 dias, variando consoante a antiguidade de cada trabalhador, no fundo, foi pedido às pessoas a quem é devido o salário de junho, e em breve o de julho, bem como os subsídios de férias e os subsídios de refeição de maio e de junho, que continuem a trabalhar sem garantia de retribuição, para manter vivo um negócio que, desconfiamos, será vendido “à 25.ª hora”.

Contra esta ignomínia, o SJ recorda a todos os que aceitarem continuar a trabalhar poderão estar a ajudar a salvar uma negociata cujos contornos não são claros neste momento e que, perdendo todos os direitos como trabalhadores com o despedimento agora anunciado, não têm qualquer garantia de vir a ser integrados numa empresa que eventualmente possa nascer.

Lembramos que, além de estar ser pedido agora às pessoas que continuem a trabalhar sem remuneração, o que equivale a escravatura, os trabalhadores, na esperança de uma venda redentora, podem estar a contribuir para salvar títulos que, no futuro, podem ser usados para fazer um jornalismo completamente diferente do que fizeram nestes anos, em que engrandeceram a profissão e contribuíram para uma sociedade mais esclarecida, dado o rigoroso escrutínio de que se revestiu muito do que foi feito jornalisticamente no grupo TiN, enquanto teve capacidade financeira.

Vivemos num tempo em que grassa a mentira, para lá da desinformação, e em que claramente a fragilidade do jornalismo interessa a muitos atores sociais, alguns dos quais se regozijam com o desemprego destas 80 pessoas. Sabemos que há muita gente que deseja o fim desta profissão, que não quer ser escrutinada, que quer mentir livremente, pois não trabalha nem deseja uma sociedade que seja mais justa e equitativa.

Perante este cenário é ainda mais lamentável e profundamente incompreensível que quase dois meses depois de ter tomado posse, o ministro da presidência, Leitão Amaro, que tutela a Comunicação Social, ainda não tenha respondido ao pedido de audiência solicitado pelo SJ pouco após a sua oficialização no cargo.

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