SJ solidário com CIR

O Sindicato dos Jornalistas está solidário com as rádios que integram a CIR (Cadeia de Informação Regional) que decidiram avançar com um boicote à cobertura de todas as ações de campanha, no âmbito das eleições europeias, que se realizam no próximo dia 26 de maio. A CIR é composta pelas rádios Ansiães (Carrazeda de Ansiães), Brigantia (Bragança), Onda Livre (Macedo de Cavaleiros) e Terra Quente (Mirandela), a Rádio Universidade (Vila Real) e a Rádio Montalegre (Montalegre). 

O Sindicato dos Jornalistas sublinha a importância de existir uma imprensa livre, diversa e que promova a pluralidade de vozes e opiniões, independentemente do seu âmbito ser internacional, nacional, regional ou local.Esta tomada de posição prende-se com uma série de entraves que têm vindo a ser colocados às rádios locais, abaixo expressos por Fernando Sérgio, porta-voz da CIR:

“Os nossos problemas são há muito conhecidos pela classe política, mas a situação das rádios de proximidade está, em nosso entender, numa fase crítica, decisiva: O ponto de não retorno, o que poderá significar o fim destas empresas de comunicação social a muito curto prazo.

Não somos de nos queixar. Os problemas existem, vamos tentando resolve-los “dentro de portas”. É, assim, natural que a população não se aperceba dos constrangimentos a que somos sujeitos. É até um orgulho para nós conseguirmos levar a cabo esta verdadeira missão: Estar a par e dar a conhecer com verdade e rigor aquilo que de relevante se passa… e estando “debaixo de fogo” em permanência.

Por termos a noção de que somos reconhecidos pelos nossos ouvintes, que o nosso trabalho de verdadeiro serviço público tem um papel fundamental no escrutínio das acções de quem nos governa, de sermos afinal parte do garante da democracia, temos, mais do que o dever, a obrigação de por a nossa população a par dos verdadeiros ataques de que somos alvo… a vários níveis.

Em primeiro lugar, existe um mito que importa desmistificar.

Ainda há quem pense que as Rádios são apoiadas ou financiadas pelo Estado, nada de mais errado, as rádios vivem exclusivamente das receitas da publicidade.

No capítulo da transparência, o Estado exige rádios uma carga burocrática maior do que a qualquer gigante empresarial cotada na bolsa de valores!

O Estado em vez de apoiar as rádios, asfixias com exigências!

No que toca aos tempos de antena, só nas Eleições Autárquicas e nos referendos é que as rádios locais os emitem. Em todas as outras eleições somos excluídas pelo Estado.

O Estado discrimina as rádios!

Quanto aos Direitos de autor e conexos, sempre pagámos uma taxa fixa mensal aos autores das letras e músicas que emitimos. Agora, os cantores, músicos e a poderosa indústria discográfica, querem 5% da facturação das rádios, mas com um valor mínimo garantido!

Tudo isso é incentivado pelas leis do Estado que lhes dá todos os direitos e os nega às rádios. Todas as entidades a quem somos obrigados a prestar contas, sejam públicas ou privadas (ERC, ANACOM ou SPA…) têm em consideração, na cobrança das suas taxas, um factor de progressão atendendo à realidade socio-económica de cada local. Neste capítulo não há qualquer consideração a este aspecto.

Haverá algum meio que mais apoie e promova os cantores, músicos e editores discográficos do que a rádio?

Será justo quererem 5% da facturação, com um valor mínimo garantido?

Apesar das leis do Estado lhes dar todos os direitos e os negar às rádios, não deixa de ser injusto e imoral.

O Estado não defende os direitos das rádios!