Na sequência do comunicado público do executivo da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia sobre uma peça da Agência Lusa, bem como da tomada de posição da Direcção de Informação e do Conselho de Redacção da Lusa, o SJ é obrigado a vir reiterar novamente que estes ataques ao jornalismo são inaceitáveis, intoleráveis e um perigo real para o normal funcionamento dos órgãos de comunicação social e da democracia.
Após um trabalho baseado meramente em factos divulgados pelo Diário da República (não desmentidos de forma alguma pela autarquia), o Sindicato lamenta que tenha sido publicado um comunicado com linguagem absolutamente inapropriada, que mais não é um ataque gratuito e lamentável ao trabalho digno dos jornalistas da Agência Lusa, com recurso a termos inqualificáveis e que só podem ser interpretados como uma tentativa óbvia de pressão e condicionamento do jornalismo.
Mais grave ainda, em declarações ao jornal Público, o vice-presidente da autarquia decide reafirmar o conteúdo e o tom do comunicado, e ainda chega ao ponto quase surreal de exigir um “pedido de desculpas” à Agência Lusa. O SJ afirma, sem hesitações, que quem deve um pedido de desculpas à Lusa, ao jornalista visado e à própria população em geral é o executivo da Câmara de VN Gaia, que aparentemente não sabe conviver com o escrutínio normal e habitual em democracia.
O Sindicato considera particularmente preocupante que estas críticas infundadas à Agência Lusa surjam num momento em que a agência enfrenta um processo de reestruturação e alterações aos estatutos que põe em risco a sua independência. Uma agência noticiosa mais fragilizada institucionalmente e mais vulnerável à influência do poder político fica também mais exposta a campanhas de pressão, intimidação e descredibilização pública, o que representa um risco acrescido para o exercício de um jornalismo livre, isento e independente.
Infelizmente, nas últimas semanas, sucedem-se episódios em que figuras com responsabilidades políticas (nomeadamente autarcas) utilizam o seu espaço mediático para atacar jornalistas, situações que o SJ já denunciou no passado. Entendemos que este clima é preocupante, sintoma de um tempo perigoso em que o poder político se sente à vontade para pressionar e tentar dinamitar a boa reputação dos jornalistas portugueses. Estes ataques gratuitos devem cessar de forma imediata.
A Direcção do SJ manifesta solidariedade com a Lusa e com os seus jornalistas, vai continuar a acompanhar este caso e o Sindicato já se disponibilizou em colaborar e ajudar em tudo o que for relevante para combater esta situação.
