SJ estupefacto com condições para jornalistas durante jogos da Liga 

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) ficou estupefacto ao tomar conhecimento das condições em que os jornalistas tiveram de trabalhar, para cumprirem o dever e o direito de informar, durante o jogo entre o Desportivo das Aves e o Futebol Clube do Porto, da Liga de futebol.

O SJ considera absolutamente intolerável que não tenham sido criadas condições dignas de trabalho para os jornalistas assistirem ao jogo, forçando os profissionais, no afã de servir o público com a melhor informação possível, a ver o jogo em cafés ou em casa, através da televisão.

O SJ contactou já a Direção-Geral da Saúde (DGS), pedindo uma reunião para tentar perceber qual a melhor forma de encontrar uma solução para este problema. Isto porque a Liga Portuguesa de Futebol Profissional justifica as restrições impostas no acesso e no número de jornalistas aos estágios em indicações supostamente dadas pela DGS.

O SJ aguarda, também, uma resposta da Liga, à qual colocou o problema no recomeço do campeonato, temendo que situações deste tipo pudessem acontecer.

O que se passou na Vila das Aves é inaceitável, não defende o interesse do público, do jornalismo ou do futebol. Sem acesso devido às fontes de informação – no caso de um jogo de futebol, a possibilidade de o acompanhar ao vivo e no estádio – não estão garantidas as melhores condições para o serviço de informar.

Este tipo de situações, que urge corrigir, pugnando para que não se repitam, prejudicam o direito de ser informado, o dever de informar e a imagem do futebol e dos seus intervenientes.

Simultaneamente, o SJ aconselha os jornalistas no terreno a recusarem trabalhar nestas condições, que não são dignas para o exercício da profissão e podem pôr em causa a qualidade da informação a prestar aos cidadãos. Exorta, ainda, os profissionais da comunicação social a denunciarem ativamente este tipo de situações, e outras que ponham em causa o exercício da profissão, os direitos e liberdades dos jornalistas.

O SJ apela ainda aos diretores dos vários órgãos de informação que apoiem os jornalistas que não se sentirem confortáveis em fazer a cobertura dos jogos em condições indignas e inapropriadas, pugnando para que a Liga e a DGS encontrem uma solução que permita o acesso aos estádios que, vazios de público, têm muito espaço para acomodar a comunicação social.

A bem do jornalismo, dos jornalistas e do futuro da profissão, o SJ exorta também os diretores dos órgãos de comunicação social a rejeitarem imagens, fotografias ou vídeos fornecidos por clubes e pela Liga. Por muito bem intencionada que seja a oferta, esta prejudica, a médio e longo prazo, os jornalistas e o jornalismo e, por extensão, os cidadãos e a democracia.