SJ apoia trabalhadores da Lusa na suspensão de corte no subsídio de transporte

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) apoia a exigência dos trabalhadores da agência Lusa no sentido da suspensão imediata do corte de 30 euros no subsídio de transporte a partir de outubro.

Em plenário de trabalhadores realizado na terça-feira, dia 27, os trabalhadores da Lusa exigiram ao Conselho de Administração a suspensão imediata da decisão comunicada na sexta-feira, dia 23, caso contrário admitem avançar para uma greve.

No dia 23, através de uma nota enviada pelo presidente do Conselho de Administração, Nicolau Santos, os trabalhadores da Lusa ficaram a saber que o subsídio de transporte passava a ser de 40 euros a partir deste mês, o que representa um corte de 30 euros.

Esta decisão decorre do parecer da sociedade de advogados Sérvulo Correia & Associados, da posição do secretário de Estado do Tesouro transmitida à administração da Lusa, do parecer da assessoria jurídica pedida pelo Ministério da Cultura e da decisão do Conselho de Administração.

Os representantes dos trabalhadores e o SJ já pediram os pareceres, para que os possam consultar e analisar, mas, até ao momento, ainda não lhes foram facultados.

De acordo com uma nota enviada na terça-feira, dia 27, aos trabalhadores pelo presidente do Conselho de Administração da agência Lusa, Nicolau Santos, o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, “reafirmou a vontade política de resolver a questão do subsídio de transporte”.

O mesmo já tinha sido dito pelo governante, em audiência com o SJ no mesmo dia 23, ainda que remetendo a negociação dessa solução para depois da aprovação do Orçamento do Estado para 2021.

O SJ acompanha o entendimento dos delegados sindicais de que o que está em causa é, efetivamente, um corte salarial na Lusa., considerando inaceitável que uma empresa detida maioritariamente pelo Estado reduza os direitos e os rendimentos dos trabalhadores numa conjuntura económica e social severa, com efeitos na generalidade dos agregados familiares, e que o faça encontrando justificação na perversão de uma das raras medidas governamentais aplaudida de modo quase unânime (a redução do valor dos passes sociais).

Esta situação ainda é mais grave quando, desde março, os trabalhadores da Lusa têm dado a sua máxima dedicação num momento de extraordinária dificuldade e, na sua grande maioria, estão, desde então (por razões sanitárias), a trabalhar desde casa, com consideráveis aumentos dos gastos domésticos (luz, água, internet, etc.) sem qualquer contrapartida financeira.