Sindicato solidário com jornalistas açorianos

A Direção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) manifesta a profunda preocupação com as declarações recentemente proferidas por um membro do Governo Regional dos Açores, que acusou jornalistas e órgãos de comunicação social da Região de promoverem desinformação e atuarem como agentes de oposição política. Quando titulares de cargos públicos acusam jornalistas de agir ao serviço de interesses políticos, sem apresentar provas concretas, contribuem para a erosão da confiança dos cidadãos no jornalismo e enfraquecem um dos pilares fundamentais do regime democrático: o direito a uma informação livre, plural e independente. Manifestamos a nossa solidariedade para com todos os jornalistas açorianos que foram direta ou indiretamente visados por estas declarações.

O trabalho dos jornalistas pode e deve ser objeto de crítica, como o exercício do poder político. Contudo, muito separa um reparo legítimo à cobertura informativa da descredibilização pública de profissionais da comunicação social através de acusações genéricas e infundadas que colocam em causa a sua integridade e ética profissional. A resposta a uma notícia que se considera incorreta faz-se através dos mecanismos de contraditório, esclarecimento e direito de resposta previstos na lei e no Código Deontológico. Não através da deslegitimação global do jornalismo, num exercício de populismo que lança suspeição sobre quem exerce a profissão.

O SJ recorda que o jornalismo não existe para agradar ao poder político, seja ele qual for. A sua missão consiste em informar os cidadãos com rigor, contextualizar os factos de interesse público e escrutinar a atuação de quem exerce responsabilidades públicas. Essa missão é particularmente importante em comunidades de menor dimensão, onde a proximidade entre os diversos centros de poder torna ainda mais necessária a existência de profissionais capazes de exercer o seu trabalho com autonomia editorial e independência.

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