Os aumentos salariais têm sido particularmente irrelevantes para a maioria dos jornalistas e, em alguns casos, inexistentes nos últimos anos. Na Imprensa, as empresas mantêm-se coladas aos valores mínimos da tabela salarial definida pela entrada em vigor do Contrato Coletivo de Trabalho, em agosto de 2023, apesar da inflação dos últimos anos. Mais: o salário mínimo nacional já ultrapassou a remuneração que os patrões aceitaram pagar há quase três anos a quem entra na profissão, chegando-se a um ponto em que só por força da lei geral os jornalistas sentem algum progresso salarial, porque da parte das empresas não tem havido qualquer vontade ou disponibilidade para as necessárias e mais do que justas atualizações da carreira. O Sindicato dos Jornalistas regista a falta de proatividade dos patrões para corrigir esta injustiça e lamenta que, para os empresários, seja aceitável uma profissão com a responsabilidade social e até histórica que tem o jornalismo seja tão mal paga e tão desprezada pelas empresas.
Após décadas de deterioração das condições laborais, o CCT garantiu aumentos salariais abaixo das aspirações de quem trabalha, e do Sindicato que os representa. Consciente disso, o SJ enviou no início de dezembro uma proposta de revisão da tabela salarial à Associação Portuguesa de Imprensa (API), com efeitos a janeiro último. A API recusou os aumentos propostos, que serviriam para pouco mais do que limitar a erosão do poder de compra ao longo de 2026, mantendo-se a remuneração em discussão longe de condizer com a exigência e relevância da profissão.
Tendo a API começado em dezembro a “encetar contactos” com as empresas suas associadas para “permitir elaborar uma contraproposta”, ainda não houve qualquer progresso no diálogo. Não podendo ficar eternamente à espera, o SJ terá de ponderar ações que despertem os patrões e seus representantes para a necessidade de dignificar a profissão, aumentando os salários e avançando com a revisão das carreiras, sob pena de continuar a degradar-se a atratividade da profissão para novos profissionais e a capacidade de reter quem já a pratica. Como é público, continuam também a existir violações de várias empresas às normas firmadas no CCT. Apelamos a que as pessoas associadas contactem os respetivos delegados sindicais, e os serviços do sindicato, para reportar estas ilegalidades.
