O Sindicato dos Jornalistas lamenta profundamente a morte do fotojornalista Eduardo Gageiro, na madrugada desta quarta-feira, 4 de junho, no Hospital dos Capuchos, em Lisboa. À família e amigos, as nossas sentidas condolências.
Eduardo Gageiro foi um dos primeiros fotógrafos a chegar ao Terreiro do Paço durante a Revolução dos Cravos, em 1974. Algumas das imagens mais icónicas desse “dia inicial inteiro e limpo”, nas palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen, foram feitas pela lente de Gageiro. Momentos eternizados na nossa memória coletiva, instantâneos que associamos à objetiva de um homem que ajudou a construir a imagem do dia da nossa Liberdade, mas que fez muito mais pela fotografia e pelo jornalismo ao longo de quase 70 anos a fotografar Portugal.
Nascido em Sacavém em fevereiro de 1935, há 90 anos, começou a carreira no “Diário Ilustrado”, em junho de 1960 e filiou-se no Sindicato dos Jornalistas (SJ) em outubro do mesmo ano, quatro meses depois de começar a trabalhar como repórter fotográfico. Ao longo da carreira trabalhou para as revistas “O Século Ilustrado”, “Eva”, “Almanaque”, “Match Magazine”, para a agência Associated Press (AP, Portugal) e foi editor da revista “Sábado”. Sócio número 46 do SJ, estava reformado desde 2000, mantendo a filiação ao Sindicato com o estatuto de “freelancer” desde julho de 1985.

Mas não foi como jornalista que Gageiro começou a trabalhar. Em 1947, aos 12 anos, estava empregado na Fábrica de Loiça de Sacavém, onde conviveu com pintores, escultores e operários, segundo a biografia do próprio. Deste caldo de artistas e operários nasceu a vontade de ser fotojornalista e cultivou-se o espírito crítico, um olhar atento e curioso da realidade portuguesa, das alegrias às misérias, das tristezas às conquistas de Portugal – dias de sol e de sombra da nossa História.
Durante a ditadura fotografou as condições precárias em que vivia grande parte da população portuguesa, a miséria e a pobreza endémicas no antigo regime. Imagens “inconvenientes” que lhe valeram a atenção do regime e várias detenções nas prisões da PIDE – cuja sede fotografaria no 25 de Abril a ser tomada pela revolta popular.
Nos 51 anos desta democracia, a lente de Gageiro foi sempre um olhar objetivo sobre a realidade da vida política, social e cultural do país. Um trabalho de décadas reconhecido com centenas de prémios, entre os quais se destaca o “Nobel” da fotografia, o World Press Photo, em 1975. Mestre Fotógrafo Honorário da Associação de Fotógrafos Profissionais desde 2009, é o único português com uma fotografia em exposição permanente na Casa da História Europeia, em Bruxelas, desde 2014, indica a sua biografia. Foi condecorado como comendador da Ordem do Infante D. Henrique e cavaleiro da Ordem de Leopoldo II, da Bélgica.
Foi nomeado “membro de honra” do Fotokluba Riga (ex-URSS), do Fotoclube Natron e da Novi Sad (ex-Jugoslávia), da Osterreichisdhe Fur Photographie, da Áustria, e recebeu o prémio de excelência da Fédération Internationale de l’art Photographique (FIAP), em Berna, na Suíça. No II Congresso Internacional de Repórteres Fotográficos, realizado em S. Paulo, Brasil, em 1966, foi nomeado vice-presidente da organização.
O velório realiza-se na quinta-feira (5), a partir das 18h, na Academia Recreativa Musical de Sacavém. O funeral será na sexta-feira (6), pelas 11h, no Cemitério de Sacavém, concelho de Loures.
