Já passou tempo suficiente para notarmos que é um hábito do atual primeiro-ministro fazer declarações públicas, em vez de conferências de imprensa. Luís Montenegro banalizou chamar a comunicação social para o ouvir sem permitir que jornalistas lhe façam perguntas a seguir. A apresentação das medidas aprovadas após Conselho de Ministros foi apenas o mais recente exemplo.
O Sindicato dos Jornalistas lembra que no IV Congresso dos Jornalistas se aprovou um boicote às conferências de imprensa sem direito a questões. Apelamos a uma posição de força das redações e direções de informação: se não permitem colocar questões, não devem estar jornalistas presentes.
Impedir perguntas é impedir a prática jornalística. É imperiosa a necessidade de questionar as pessoas em posições de poder, sejam decisores públicos ou privados. Sem essa hipótese, transmitir as suas declarações é participar num exercício de propaganda – mais vale que enviem um comunicado de imprensa.
Diga-se que até Salgueiro Maia, em pleno cerco ao Quartel do Carmo, tirou 14 minutos para responder às questões da imprensa sobre o golpe em curso a 25 de abril de 1974. Ficou de costas para os militares da GNR que recusavam render-se. Meio século volvido, seria de esperar que o líder do executivo PSD/CDS repetisse a cortesia tendo sempre espaço para perguntas de jornalistas quando deseja falar ao público.
