Salários em atraso no canal Conta Lá preocupam SJ

É com enorme preocupação que o Sindicato dos Jornalistas (SJ) está a acompanhar a situação do canal Conta Lá, que neste momento ainda não pagou os salários relativos ao mês de maio a grande parte dos trabalhadores, e acumula dívidas a colaboradores externos, sem perspetiva de melhoria no curto prazo. É urgente que haja uma posição clara e transparente da empresa junto dos trabalhadores que desconhecem o que o futuro lhes trará.

O SJ está em contacto permanente com vários trabalhadores do canal que foi criado há poucos meses e considera inaceitável que a empresa não esteja a cumprir com uma obrigação básica: assegurar os vencimentos de todos os funcionários. Há fundados receios de que o mês de junho, que já terminou, também não seja pago dentro do prazo, o que naturalmente faz levantar uma enorme preocupação sobre a situação financeira deste projeto e a sua sustentabilidade futura.

De acordo com documentos divulgados pela Agência Lusa, a empresa está a tentar avançar com um processo de lay-off, e volta a fazer promessas de investimento no mês de setembro. É imperativo que a empresa seja clara e franca para com as pessoas trabalhadoras sobre o futuro da empresa, as perspetivas que existem, e lamenta profundamente que um projeto tão recente se encontre numa situação tão delicada, colocando em causa a estabilidade e a qualidade de vida de dezenas de trabalhadores recentemente contratados. É urgente esclarecer de forma clara qual a capacidade para liquidar os vencimentos e obviamente ter como prioridade absoluta o pagamento dos salários e verbas em atraso aos trabalhadores do Conta Lá.

O Sindicato dos Jornalistas já se mostrou disponível para apoiar e esclarecer os trabalhadores em tudo o que for necessário e reforça novamente essa disponibilidade. Para a direção do SJ este é mais um sinal da preocupante situação que o jornalismo em Portugal atravessa, com dificuldades claras para se manter sustentável financeiramente. Por diversas vezes e junto de diferentes governos o SJ tem alertado para este cenário e apelado ao desenvolvimento de medidas concretas para garantir que o jornalismo sobrevive e vive, para bem da democracia, do escrutínio, da liberdade de pensamento e expressão. Nada mais temos recebido senão desinteresse do Governo, nesta como noutras matérias, no que diz respeito não só à sustentabilidade do jornalismo português, ignorando a importância de uma comunicação social forte.

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