Relatório da ERC a propósito do livro “Sob o signo da verdade”

É difícil identificar casos concretos de influência das agências de comunicação na informação publicada nos jornais, concluiu o Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) num relatório relativo às problemáticas suscitadas no livro “Sob o Signo da Verdade”, de Manuel Maria Carrilho.

De acordo com a ERC, “a informação coligida no decurso da análise realizada” e “os depoimentos dos intervenientes ouvidos” não permitem “identificar uma influência directa das agências de comunicação”, embora “se tenham verificado mimetismos na informação publicada susceptíveis de apontarem para centralização na disseminação de informação”.

A análise quantitativa e qualitativa feita pela ERC concluiu que não há indícios consistentes de que algumas “falhas” deontológicas tenham sido comandadas, orquestradas ou determinadas por agentes externos aos órgãos de comunicação social, nem que uma agência de comunicação tenha conseguido impor aos média uma lógica de “campanha negativa” contra Manuel Maria Carrilho.

Todavia, este caso levou a ERC a aperceber-se da necessidade de aprofundar “a temática do papel, influência e interacção entre as agências de comunicação e os jornalistas”.

A deliberação da ERC mereceu uma declaração de voto de Luís Gonçalves da Silva, que, embora concorde com as conclusões, discorda do momento em que a mesma foi divulgada, uma vez que “não há deliberações neutras nem acções assépticas e o facto de esta surgir neste instante político [antes das eleições intercalares em Lisboa] deve merecer reflexão”.