Press-release da FEJ sobre o resultado das eleições nos EUA

Posição da Federação Europeia de Jornalistas sobre o recente resultado das eleições nos Estados Unidos da América

A eleição de Trump deve instar a Europa a proteger melhor os jornalistas

Nenhum jornalista deve ser indiferente à eleição de Donald J. Trump como o 47.º Presidente dos Estados Unidos. A sua relação com o jornalismo e a sua abordagem ao exercício do poder terão consequências globais. Mais do que nunca, na Europa e no resto do mundo, a profissão deve manter-se firme na defesa de uma imprensa robusta que possa relatar os factos livremente e responsabilizar o poder de forma segura. A Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) e os seus afiliados juntam-se a todos os comprometidos com a defesa do jornalismo como pilar da democracia.

Donald J. Trump pediu que jornalistas fossem presos e violados por não revelarem as suas fontes. Há uma semana, num dos seus comícios, fantasiou sobre um massacre de jornalistas. E logo após a sua eleição, Elon Musk, o proprietário da rede social X, que tem sido ativo na política americana como um defensor vocal e financeiro de Donald J. Trump, declarou que os meios de comunicação tradicionais estão mortos, alegando que “a maioria dos media tradicionais mentiu incessantemente ao público”.

“Essas acusações absurdas são apenas parte dos amados ‘factos alternativos’ do Sr. Trump. Isto é pura desinformação”, afirmou a presidente da FEJ, Maja Sever. “Como uma organização profissional apartidária e sem fins lucrativos, é nosso dever defender o direito dos cidadãos a aceder a uma informação livre, independente e credível. A retórica hostil de Donald Trump em relação aos jornalistas e aos media não deve levar os governos europeus a abandonarem as suas obrigações de assegurar a segurança dos jornalistas e de criar um ambiente favorável para a liberdade de expressão, incluindo a liberdade de imprensa.”

A retórica anti-imprensa de Trump já levou muitos dos seus admiradores, em todo o mundo e na Europa, a retaliar contra os media. Com Donald J. Trump de volta à Casa Branca, esses admiradores sentir-se-ão ainda mais encorajados a assediar a imprensa.

“A vitória de Trump não desafia apenas o jornalismo americano, mas também o jornalismo europeu,” confirmou o secretário-geral da FEJ, Ricardo Gutiérrez. “O elemento mais preocupante, a meu ver, é a aliança entre o presidente da maior potência mundial e o homem mais rico do mundo, Elon Musk, que possui uma capacidade assustadora de controlar a opinião pública através das redes sociais. Ele surge como um ator político particularmente influente da extrema-direita. É agora urgente que a União Europeia (UE), enquanto poder regional, regule a dominação das Big Tech americanas e asiáticas, através do Digital Markets Act (DMA) e do Digital Services Act (DSA) da UE. A UE deve também desenvolver uma política tecnológica orientada para a autonomia estratégica da Europa. Sem um ambiente tecnológico de proteção, o jornalismo europeu está condenado à marginalização e invisibilidade.”

“A União Europeia já não pode simplesmente pedir às empresas de Big Tech que avaliem o risco sistémico decorrente da utilização dos seus serviços,” acrescentou a diretora da FEJ, Renate Schroeder. “A UE deve considerar as gigantes tecnológicas e os desenvolvedores de inteligência artificial generativa como potenciais atores de alto risco para a democracia e tomar as medidas necessárias para proteger o interesse público. Sem acordos sobre uma remuneração justa e direitos de autor, jornalistas e meios de comunicação independentes não sobreviverão. Estamos muito preocupados que uma maior concentração no setor de IA tenha um impacto devastador no jornalismo.”

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