O desmantelamento do grupo RTP tem que parar

A Direção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) opõe-se terminantemente à intenção da Administração da RTP em proceder a mais um desmantelamento do serviço público da rádio e televisão de Portugal. É um ataque ao serviço público de jornalismo, com propostas de cortes de pessoas que tornam praticamente impossível fazer o trabalho diário, quanto mais cumprir com a exigência de qualidade que deve ser apanágio de qualquer serviço público.

Se já não está fácil manter o funcionamento das redações da rádio e televisão, que estão depauperadas após as saídas de pessoas ao abrigo de rescisões voluntárias que decorreram no ano passado, o SJ pergunta como pretende a Administração manter em funcionamento as redações de rádio e televisão da RTP agora que já está a preparar um plano de rescisões de mais cerca de 200 trabalhadores?

O SJ opõe-se, também, às sinergias que estão a ser preparadas, às escondidas dos trabalhadores e das organizações representativas dos trabalhadores, entre as redações de televisão e rádio, lembrando que as tarefas, as ferramentas e os tempos de trabalho são distintos. Em 2012, as sinergias entre ambas as redações, que agora esta administração quer ressuscitar, não funcionaram porque não é possível fazer bom jornalismo com menos pessoas e menos meios.

Não adianta à Administração da RTP elogiar o serviço público da Rádio Antena 1, o serviço noticioso fulcral durante o apagão de abril de 2025, na cobertura que fez e ainda faz das tempestades que têm assolado o país nas últimas semanas, se depois não respeita os seus trabalhadores e a sua marca per si, pretendendo aglutiná-la com a RTP, inclusive mudando o nome da rádio pública e o seu aspeto, retirando-lhe protagonismo e desvalorizando uma marca que tem ganho nos últimos anos mais audiência e reconhecimento dos ouvintes, graças ao esforço e trabalho de todas as pessoas que nela trabalham diariamente.

O serviço público de rádio e televisão é um instrumento indispensável à democracia e à coesão social, assegurando informação plural, rigorosa e independente para todos os cidadãos. A sua missão assenta na diversidade de vozes, na autonomia editorial e na valorização do trabalho jornalístico, princípios que não podem ser sacrificados em nome de opções de gestão que empobrecem o serviço público. O Sindicato dos Jornalistas reafirma que a defesa de um serviço público forte, diferenciado e plural é inseparável da defesa da democracia e continuará a opor-se a qualquer medida que fragilize essa missão e desvalorize quem nela trabalha diariamente.

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