Hoje despedimo-nos de Mário Zambujal, jornalista e escritor, que nos deixa aos 90 anos. Despedimo-nos de uma vida longa, dedicada às palavras, à curiosidade e ao compromisso com o jornalismo.
Para o Sindicato dos Jornalistas, de que era sócio desde 1969, a sua morte representa mais do que a perda de um profissional respeitado. Perdemos um camarada que pertenceu a uma geração que acreditava profundamente no valor do jornalismo como serviço público — um jornalismo que procura compreender o mundo e ajudar os outros a compreendê-lo também.
Mário Zambujal construiu o seu percurso com a serenidade de quem sabe que o essencial do jornalismo não está no ruído do momento, mas na persistência do olhar, na capacidade de ouvir e na responsabilidade de contar histórias com rigor e honestidade. Foi jornalista numa época em que o ofício exigia coragem, paciência e uma enorme dedicação ao trabalho bem feito.
Para muitos, foi um escritor ímpar. Com um humor único e lúcido. Alguém que soube transformar a experiência do jornalismo em reflexão, memória e literatura. Nos livros, como nas reportagens, procurou sempre dar sentido ao tempo que viveu.
Aos que trabalharam com ele, ficará a lembrança de um profissional atento, culto e generoso – alguém que compreendia que o jornalismo é também uma comunidade de pessoas que aprendem umas com as outras.
Num tempo em que a profissão enfrenta tantos desafios, recordar figuras como Mário Zambujal é também recordar o que dá sentido ao nosso trabalho: a defesa da verdade possível, a liberdade de informar e a responsabilidade perante a sociedade.
Hoje despedimo-nos com tristeza, mas também com gratidão. Gratidão por uma vida dedicada às palavras, ao pensamento e ao jornalismo.
Em nome do Sindicato dos Jornalistas, prestamos homenagem a Mário Zambujal e apresentamos à sua família, amigos e colegas as nossas mais sentidas condolências.
O seu percurso permanece connosco, como parte da história do jornalismo português.
