As moções apresentadas pelo Sindicato dos Jornalistas no Congresso do Centenário da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) foram aprovadas por unanimidade. O evento, que decorreu em Paris, França, entre os dias 4 e 7 de maio, reuniu representantes de todo o mundo para debater o futuro da profissão e reforçar a solidariedade global entre os trabalhadores da comunicação social.
As moções do Sindicato dos Jornalistas, representado no evento pelo presidente da Direção, Luís Filipe Simões, conseguiram a unanimidade de todos os congressistas para a aprovação. A primeira, sob a designação “Proteção do jornalismo e jornalistas perante a Inteligência Artificial”, entroncou num dos aspetos mais discutidos no Congresso do Centenário, a forma como a IA pode impactar o trabalho dos jornalistas e respetivas consequências éticas e laborais.
Outra das moções apresentadas, também aprovada por unanimidade, foi a proposta a exortar a FIJ a ter um papel mais firme na exigência aos governos de todo o mundo de um apoio forte ao jornalismo, um pilar essencial de todas as democracias e um bem essencial de qualquer sociedade justa. Nesta matéria, o SJ avançou com a proposta da criação de subvenções estruturais para a realização de reportagens, o apoio a projetos jornalísticos independentes, o financiamento de campanhas públicas de promoção do jornalismo e o reforço do serviço público. Tema particularmente sensível num momento em que, entendemos, o atual governo vai em sentido contrário na RTP e na Lusa.
Em Paris, o SJ sentiu reconhecimento da generalidade dos sindicatos na pertinência das causas defendidas pelos jornalistas portugueses, tendo defendido que o combate à precariedade deve ser prioridade global. Ao mesmo tempo, sublinhámos a importância de ser valorizado o jornalismo local e, de forma estratégica, pugnar pela sobrevivência dos meios de proximidade para que possam resistir às pressões políticas e ao assédio dos grandes grupos económicos. Uma posição que colheu apoio também unânime no congresso da FIJ.
De destacar também a apresentação do projeto da Associação Portuguesa de Literacia Mediática e Jornalismo sobre a importância de valorizar e expandir a literacia mediática, que teve desde o primeiro momento empenho total e apoio do SJ. Projetos como estes, que levam jornalistas a formar professores para que estes possam transmitir conhecimentos que melhor combatam a desinformação podem fazer a diferença numa sociedade de comunicação cada vez mais caótica e dispersa.
O Congresso ficou também marcado pela eleição dos novos órgãos diretivos. A jornalista peruana Zuiliana Lainez foi eleita presidente da FIJ, sucedendo a Dominique Pradalié. Voz ativa na defesa da liberdade de imprensa e dos direitos laborais na América Latina, Lainez assume agora a liderança global dos jornalistas.
