Os jornalistas portugueses mostraram hoje que este pacote laboral não serve quem trabalha, nem o futuro de Portugal. Numa profissão com elevados índices de precariedade, números provisórios apontam para uma adesão à greve de cerca de 60% a nível nacional, entre as redações em que se apuraram valores. Cada vez mais explorados, a trabalhar horas em excesso e com salários mínimos, quem faz jornalismo deu novo sinal negativo ao Governo PSD/CDS, ao juntar-se de forma expressiva à Greve Geral.
Destaque para a paralisação a perto de 100% na Agência Lusa, sem uma única notícia publicada desde madrugada. Mas também para a forte mobilização no “Público”, com a direção a admitir os constrangimentos, e de várias secções do Expresso. O SJ reconhece, em particular, a expressividade do protesto nas televisões, públicas e privadas, esvaziando equipas na SIC e TVI/CNN, e levando os patrões a recorrer a trabalho precário (ou mesmo, ilegalmente, externo). E ainda do impacto claríssimo nas rádios, em particular TSF e nas estações públicas, que falharam emissões regulares.
Os jornalistas perceberam bem a ameaça que configura esta proposta de revisão laboral para os trabalhadores portugueses e particularmente para a classe. As traves mestras da Ministra são os barrotes que podem soterrar os jornalistas se o projeto avançar e tiver acolhimento no Parlamento. O banco de horas individual, a perda de direitos parentais, contratos a termo para toda a vida e diminuição da capacidade sindical, atacam diretamente os jornalistas, numa profissão em que metade é precária, mais do dobro da média nacional, em que cerca de 30% ganha o salário mínimo ou sobrevive com mil euros ou menos, com altas taxas de burnout e de divórcios, devido a excesso de trabalho e dificuldades de conciliação da vida pessoal e profissional.
Foi por isso que tantas redações se juntaram à greve, juntando-se a tantas pessoas trabalhadoras nas várias manifestações que encheram ruas e praças no país. Mesmo apesar das ameaças veladas em mensagens ou telefonemas “inocentes” antes da greve, “só para ter uma ideia”, mesmo apesar das trocas ilegais de horário nas 48 anteriores à greve, mesmo com a substituição, ilegal e punível como infração grave e que o SJ denunciará às autoridades, de trabalhadores do quadro por serviços externos – o famoso outsorcing que o pacote laboral tanto defende – e com recurso a estagiários curriculares para fazer trabalho de profissionais, notaram-se as dificuldades. E ainda amanhã se verá o impacto na qualidade do trabalho publicado.
