Jornalistas europeias apelam a maior igualdade nos média

Mulheres jornalistas representantes de 22 organizações e sindicatos de toda a Europa, entre os quais Portugal, reunidas em Nicósia, Chipre, de 27 a 29 de Maio, exigiram o reforço da igualdade de géneros nos média como parte integrante da campanha para melhorar as condições de vida e de trabalho das mulheres na União Europeia.

O apelo, subscrito por três dezenas de mulheres, foi feito no seminário “Mulheres jornalistas no processo de integração europeia”, promovido pela Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) em cooperação com o Sindicato dos Jornalistas de Chipre.

A iniciativa teve como objectivo promover a troca de informações sobre a realidade social e profissional e o estatuto das mulheres nos média europeus, em particular nos novos países do alargamento da União Europeia (UE), e definir linhas de acção no sentido de promover e implementar a efectiva igualdade de direitos das mulheres jornalistas.

O diagnóstico confirmou a persistência e mesmo agravamento da discriminação de que as jornalistas são alvo, designadamente a nível salarial e acesso a cargos de direcção. Uma situação inaceitável, tanto mais que as mulheres representam já cerca de 50 por cento dos profissionais dos média e mais de metade dos consumidores dos média são do sexo feminino, como lembrou Annegret Witt-Barthel, coordenadora europeia do conselho para a igualdade da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ).

O seminário reconheceu ainda que a globalização dos média ameaça a liberdade de informação e agrava as condições de trabalho dos jornalistas e freelance, o que tem particular impacte na luta pela igualdade entre homens e mulheres jornalistas.

Com base numa “rede” de mulheres jornalistas, o encontro concordou em organizar um estudo sobre o estatuto da mulher jornalista na Europa e adoptou um “guia de acção” – a implementar pela FEJ e respectivas organizações associadas – para melhorar as condições das jornalistas.

A necessidade da UE e respectivos Estados-membros reconhecerem o direito à informação como um direito fundamental e não um produto sujeito aos ditames do mercado, foi outros dos aspectos sublinhados no encontro, em que também participou o Sindicato dos Jornalistas (SJ), representado pela secretária da Direcção, Anabela Fino.

O evento não podia esquecer, naturalmente, a dramática situação da jornalista francesa Florence Aubenas e do seu intérprete, Hussein Hanoun al-Saadi, reféns no Iraque, e apelou à sua imediata libertação.