Jornalistas britânicos precisam de “cláusula de consciência”

Os jornalistas britânicos precisam de uma “cláusula de consciência” que os proteja de acções disciplinares ou outras sanções caso se recusem a escrever matérias que ataquem refugiados, pessoas que procurem asilo, ciganos ou muçulmanos.

Esta afirmação foi proferida por Tim Lezard, presidente do Sindicato Nacional de Jornalistas (NUJ), perante o Trades Union Congress (TUC), tendo por base casos chocantes de que teve conhecimento, como o de um proprietário de um tablóide nacional que entrou na redacção perto da hora de fecho e escreveu ele mesmo manchetes inflamadas contra refugiados e pessoas em busca de asilo.

“O que é que os jornalistas podem fazer acerca disto? Infelizmente, alguns concordam com essa política do jornal e não os irei desculpar, mas e os outros? Porque é que não se revoltam?”, questionou o dirigente sindical, apresentando de seguida o caso de 70 jornalistas do “Daily Express” que, em 2004, fizeram uma queixa – depois posta de parte – contra o próprio jornal diante do Press Complaints Committee, devido a uma história sobre famílias ciganas.

A preocupação de Tim Lezard advém do facto do código ético que os membros do NUJ se comprometem a cumprir explicitar que os jornalistas “não mencionarão a cor da pele ou a religião de uma pessoa excepto se tal for rigorosamente relevante para a história, nem escreverão histórias que encorajem a discriminação, a ridicularização, o preconceito ou o ódio”.

Perante isto, a “cláusula de consciência” proposta teria como objectivo proteger os jornalistas que quisessem cumprir com o código ético, recusando-se a efectuar trabalhos ou assinar notícias que contrariem as regras deste, sem temer processos disciplinares ou retaliações das chefias.

Tim Lezard pediu ao TUC que apoiasse esta cláusula de consciência e colocasse a nova regra à consideração dos editores, para que estes eventualmente a aceitem como válida.