Jornalistas brasileiros pressionados para revelar fontes

Os jornalistas Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro, da revista brasileira “Veja”, foram instados a revelar as suas fontes de informação no dia 31 de Outubro, em São Paulo, no âmbito de uma investigação interna da polícia federal.

“Se as acusações da revista contra a polícia federal estiverem correctas, as intimações aos jornalistas vão parecer um abuso de poder”, criticou a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

A RSF sublinha que os jornalistas não têm de agir como auxiliares da polícia e lembra que o direito à confidencialidade das fontes está salvaguardado na Constituição brasileira e na Declaração de Chapultepec da Sociedade Interamericana de Imprensa, um texto original de 1994 que o presidente Lula da Silva assinou a 3 de Maio deste ano, reiterando a adesão do país aos princípios ali defendidos.

Numa das suas recentes edições, a “Veja” revelou que elementos da polícia federal que investigavam a compra de documentos falsos destinados a comprometer adversários de Lula antes da primeira volta das eleições tentaram encobrir a participação de Freud Godoy, conselheiro do presidente entretanto reeleito.

Na sequência disto, e com vista a descobrir que agente responsável pela investigação ao escândalo havia tentado abafá-lo, o comissário Moysés Eduardo Ferreira intimou os jornalistas.

Júlia Duailibi terá alegadamente sido chamada a revelar quem lhe dera um CD com fotos de uma soma de dinheiro que seria usada para comprar o dossier e, como se recusou a identificar as fontes, foi acusada de fabricar informação para desacreditar as autoridades.

Os três jornalistas não tiveram o direito a falar uns com os outros, a consultar o advogado que os acompanhava e não tiveram acesso a cópias dos seus testemunhos.

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