IPI condena acção da polícia alemã contra Bruno Schirra

As autoridades alemãs não têm tratado devidamente o repórter Bruno Schirra, da revista “Cicero”, desde que este escreveu um artigo na edição de Abril sobre Abu Musab al-Zarqawi, usando várias citações de um documento do gabinete de investigação criminal germânico BKA, acusa o Instituto Internacional de Imprensa (IPI).

Segundo informação fornecida ao IPI em Junho, o BKA acusou Bruno Schirra de “trair segredos de Estado” e realizou, a 12 de Setembro, uma busca aos escritórios da “Cicero” em Potsdam, copiando para disquete trabalhos que estavam no computador do jornalista.

Incapaz de encontrar o documento do BKA, a polícia deslocou-se a casa do repórter, de onde removeu 15 caixas de documentos privados encontrados “acidentalmente” na adega.

Esses documentos foram mais tarde devolvidos, mas cópias dos mesmos estão a ser usadas pela procuradoria de Berlim, que acusa o jornalista de “cumplicidade na traição de segredos de Estado”.

Depois de, em Setembro e Outubro, o antigo ministro do Interior Otto Schily ter declarado que o Estado iria perseguir todos os jornalistas que citassem documentos secretos, o IPI decidiu enviar uma carta ao novo titular da pasta, Wolfgang Schäuble.

Na missiva, o director da organização, Johann P. Fritz, considera que a revista e o jornalista “são vítimas de uma tempestade perfeita que combina uma grande preocupação com assuntos terroristas na Europa com uma abordagem dura e inflexível dos procuradores, que faz lembrar as acções contra os jornalistas que protegeram as suas fontes no caso Valerie Plame, nos Estados Unidos”.

Embora reconheça que as autoridades têm o direito de tentar detectar a origem da fuga de informação, o IPI frisa que é necessário que tal se faça com o devido respeito pela garantia da liberdade de imprensa inscrita na Constituição alemã, na Convenção Europeia dos Direitos Humanos e na jurisprudência germânica, e recorda que o artigo de Schirra tinha interesse público e até é capaz de ter contribuído para aumentar a vigilância anti-terrorista na Alemanha.