Greve na TiN ameaça publicação de revistas

Não restam dúvidas da firmeza dos trabalhadores: ao terceiro dia, continuam em greve 80% dos jornalistas, lado a lado com mais de 50% de todos os trabalhadores da empresa. Mesmo que meia dúzia de trabalhadores não alinhados com a greve consigam fazer chegar às bancas publicações como a Visão ou a Caras, o Sindicato dos Jornalistas apela à solidariedade de todos os jornalistas com os camaradas em luta: precisamos de dar força uns aos outros, de afirmar, unidos que sem salário não há trabalho.
 
É clara a vontade expressa no último plenário de trabalhadores da Trust in News: esta greve por tempo indeterminado dura até que haja garantia do pagamento dos vencimentos devidos. Continua em falta 75% do ordenado de maio, não restando muito tempo até ficar em dívida também o de junho. E está perto de ficar esgotada a possibilidade de recorrer ao Fundo de Garantia Salarial, que já cobriu quatro meses de salários devidos pela TiN. É tempo de a administração mostrar um plano de sustentabilidade que convença os funcionários e de o sócio único Luís Delgado garantir a injeção de todo o capital necessário para estabilizar a tesouraria, conforme se comprometeu no passado.
 
O Sindicato dos Jornalistas saúda a resistência dos camaradas em luta, que tudo fizeram no último ano e meio para salvar os títulos da TiN, mantendo-os em banca com salários em atraso, num processo de insolvência violentíssimo. É tempo de colocar um limite. Não sendo garantidas as condições mínimas para que se continue a trabalhar, e uma vez ultrapassada qualquer exigência razoável de resiliência, há que parar. Nem que seja por respeito a assinantes e leitores dos títulos históricos do grupo. Sem as redações, que já estavam desfalcadas mesmo que não estivessem em greve, nenhuma revista que chegue às bancas, por estes dias, poderá ser mais, para quem a comprar, do que uma mera recordação do que eram as publicações agora nas mãos da Trust in News.
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