Governo iraquiano encerra delegação da Al-Arabiya

A delegação de Bagdade do canal televisivo por satélite Al-Arabiya foi encerrada a 7 de Setembro pelas autoridades iraquianas, que alegaram que a estação fomentava “a violência sectária e a guerra no Iraque”, sem contudo apresentarem quaisquer provas.

A medida, que tem a duração prevista de um mês, foi prontamente condenada pelo Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), segundo o qual “o encerramento arbitrário da delegação de Bagdade da Al-Arabiya contraria a promessa do governo iraquiano de defender a liberdade de imprensa”.

“Numa democracia a polícia não entra numa estação de televisão e pára as emissões sem avisos ou explicações. Instamos o primeiro-ministro Nouri al-Maliki a levantar esta proibição imediatamente e a permitir que a Al-Arabiya prossiga com a cobertura noticiosa de um dos assuntos mais importantes da actualidade”, declarou Joel Simon, director-executivo do CPJ.

A Al-Arabiya garante que nunca foi notificada pelo governo, oficial ou verbalmente, de que estivesse a violar qualquer cláusula ou qualquer lei no Iraque.

Esta é a segunda vez que a estação é encerrada pelas autoridades iraquianas, depois do governo provisório ter proibido as suas emissões entre Novembro de 2003 e finais de Janeiro de 2004 devido à exibição de uma cassete áudio em que Saddam Hussein alegadamente instava os iraquianos a resistirem à ocupação liderada pelos Estados Unidos.

Além das instalações agora encerradas da Al-Arabiya em Bagdade, também a delegação da Al-Jazeera na capital iraquiana tem estado fechada, uma vez que o governo de Nouri al-Maliki ainda não revogou a ordem dada em Julho de 2004 pelo antigo primeiro-ministro Iyad Allawi, que acusou a estação do Qatar de encorajar a violência e o ódio através das suas notícias sobre raptos. Desde então a Al-Jazeera tem coberto o conflito a partir da zona curda no Norte do Iraque.

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