Giuliana Sgrena ferida pouco depois de ser libertada

A jornalista Giuliana Sgrena, sequestrada desde 4 de Fevereiro no Iraque, foi ferida a 4 de Março, pouco depois de ser libertada. A repórter do “Il Manifesto” foi atingida por disparos de tropas norte-americanas contra o automóvel em que seguia, os quais provocaram a morte de um agente dos serviços secretos italianos.

Segundo declarações do editor do “Il Manifesto”, Gabriele Polo, à agência noticiosa Apcom, o agente morreu quando se atirou para a frente da jornalista com a intenção de a proteger dos disparos, e Giuliana Sgrena foi atingida por estilhaços no ombro esquerdo e transportada de urgência para um hospital militar norte-americano.

As tropas dos EUA ainda não deram quaisquer explicações sobre o caso, excepto que dispararam sobre o veículo porque este se aproximava a alta velocidade de um posto de controlo nas imediações do aeroporto internacional de Bagdade.

“Exigimos uma explicação sobre o que se passou. Alguém tem de assumir a responsabilidade”, disse aos jornalistas Silvio Berlusconi, que telefonou ao embaixador norte-americano em Itália mal soube que os disparos tinham partido de tropas dos EUA.

Também o Comité para a Protecção dos Jornalistas exige uma investigação exaustiva às circunstâncias dos disparos, “que transformaram algo muito positivo [a libertação da repórter italiana] numa tragédia”.

A libertação de Giuliana Sgrena ocorre na mesma semana em que os sequestradores da jornalista francesa Florence Aubenas, raptada a 5 de Janeiro, divulgaram um vídeo em que a repórter do “Libération” pede ajuda e apela à intervenção nas negociações do deputado gaulês Didier Julia.

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