FIJ insta líderes europeus a investigar espionagem de jornalistas

Notícias recentes de que os serviços secretos da Dinamarca, Alemanha e Holanda espiavam jornalistas levaram a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) a instar os líderes europeus a investigar se esta vigilância é sistemática.

Em cartas enviadas a Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, Franco Frattini, comissário europeu para a Justiça, e Josep Borrell, presidente do Parlamento Europeu, a organização queixou-se de que parecia estar a desenvolver-se na Europa uma cultura de vigilância de rotina que se poderia revelar perigosa para o jornalismo independente e para a liberdade de imprensa.

Esta reacção foi motivada por uma sequência de notícias que vieram a lume em Maio, a última das quais dava conta de que dois jornalistas do diário holandês “De Telgraaf” estiveram sob escuta dos serviços de segurança.

Duas semanas antes, a informação de que os serviços secretos alemães chegaram a pagar a jornalistas para que espiassem as actividades dos seus colegas chocou o mundo jornalístico e motivou ordens do governo para que a secreta germânica não tomasse medidas operacionais contra jornalistas.

Por fim, e embora não seja um caso de vigilância como os restantes, a FIJ destacou ainda o processo judicial contra os jornalistas do “Berlingske Tidende” Jesper Larsen e Michael Bjerre – cujo “crime” foi publicar notícias que expunham a pouca sustentação da decisão do governo dinamarquês em apoiar a invasão do Iraque.

“É impensável que jornalistas na Europa sejam espiados, que os serviços de segurança recorram a informadores pagos dentro dos média, que os nossos telefones estejam sob escuta frequente e que repórteres sejam processados por fazerem o seu trabalho”, criticou Aidan White, secretário-geral da FIJ, recordando que, recentemente, vieram também a lume problemas relacionados com a vigilância de jornalistas nos EUA.

Acusando os governos de estarem a tentar criar novos padrões de sigilosidade que violam a liberdade de imprensa e o direito das pessoas a serem informadas, a FIJ diz que está na altura de mudar de rumo e começar a proteger as liberdades fundamentais.