EUA acusados da morte de Terry Lloyd

O jornalista da ITN Terry Lloyd, morto a 22 de Março de 2003 no Iraque, faleceu devido a disparos de tropas norte-americanas contra a ambulância em que seguia, acusou a 13 de Outubro o médico legista britânico Andrew Walker, na sequência de um inquérito ao caso.

Em declarações à Reuters, Andrew Walker afirmou que pretende escrever ao procurador-geral e ao director do Ministério Público, instando-os a levar os responsáveis pela morte de Terry Lloyd perante um tribunal do Reino Unido.

Terry Lloyd, de 50 anos, foi um dos primeiros jornalistas a perder a vida na guerra do Iraque, que já causou a morte de 148 profissionais dos média, muitos deles em ataques intencionais, recordou a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), assinalando que os autores de praticamente todos estes crimes continuam impunes.

O repórter da ITN foi morto em Bassorá, na sequência de um ataque em que o operador de câmara belga Daniel Demoustier ficou ferido e após o qual desapareceram o operador de imagem francês Fred Nérac, que se presume estar morto, e o intérprete libanês Hussein Osman, cujo cadáver viria a ser posteriormente encontrado.

O grupo viajava em dois carros identificados como sendo de órgãos de comunicação e que foram apanhados pelas forças em conflito, tendo Terry Lloyd sido alvejado no estômago por uma bala iraquiana.

Auxiliado por um civil iraquiano que conduzia um mini-autocarro, o repórter estava a caminho do hospital quando o veículo foi atacado pelas tropas norte-americanas, que mataram Terry Lloyd com um tiro na cabeça.

Em 2003, uma investigação do Pentágono ao caso mostrou que as tropas dos EUA tinham agido de acordo com os seus regulamentos, mas o médico legista Andrew Walker considerou que, não sendo o mini-autocarro uma ameaça para os soldados dos EUA, os disparos que mataram Terry Lloyd foram ilegais.

Esta revelação motivou reacções da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), que instou os Estados Unidos a “contarem toda a verdade” acerca de uma série de mortes ainda inexplicadas de profissionais do jornalismo no Iraque às mãos de tropas norte-americanas, num total de 19 casos.

“Enquanto os Estados Unidos permanecerem indiferentes e recusarem explicar as acções dos seus soldados nestes assassinatos, haverá especulação acerca do alvejamento deliberado de trabalhadores dos média”, afirmou Aidan White, secretário-geral da organização.

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