Estratégias anti-terrorismo da Comissão Europeia preocupam FEJ

A Federação Europeia de Jornalistas (FEJ) considera que as propostas da Comissão Europeia de estabelecer códigos de conduta ou orientações para os jornalistas, como parte das estratégias anti-terrorismo, podem levantar dúvidas acerca da vontade dos políticos em manipular o conteúdo mediático.

Em carta enviada ao vice-presidente da Comissão Europeia Franco Frattini, encarregue de desenvolver a política anti-terrorista europeia, a FEJ frisou que embora sejam bem-vindas algumas medidas preventivas que melhorem a segurança pública e levem perante a justiça os responsáveis por terrorismo, “tal deve ser alcançado sem comprometer os princípios essenciais do jornalismo ou o direitos fundamental à liberdade de expressão numa sociedade democrática”.

A organização de jornalistas europeus mostra-se particularmente preocupada com um comunicado emitido pela Comissão Europeia a 21 de Setembro, no qual se abordava a questão do jornalismo, os meios audiovisuais e a Internet “disseminarem propaganda” e darem expressão a “organizações e pontos de vista terroristas”.

Como esclareceu Aidan White, secretário-geral da FEJ, a própria arquitectura do trabalho profissional dos jornalistas coloca-os muitas vezes em contacto com pessoas ligadas a organizações marginais com objectivos políticos, pelo que “seria preocupante que a União Europeia tentasse, através dos seus actos, suspender ou limitar de qualquer forma direitos como a liberdade de imprensa ou a liberdade do jornalismo”.

Para a FEJ, “só os inimigos da democracia, que pretendem promover o ódio e a discórdia, teriam a ganhar com semelhante atitude”, razão pela qual a organização solicitou uma reunião com Franco Frattini, no sentido de encontrar medidas que permitam o relato adequado dos problemas de segurança, mas “sem interferirem no trabalho dos jornalistas”.