ERC critica “Expresso” por falta de rigor jornalístico

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social considerou, numa deliberação de 20 de Julho, que o jornal “Expresso” demonstrou falta de rigor jornalístico na forma como destacou os resultados de uma sondagem sobre a reacção da população portuguesa à construção de uma central nuclear.

A ERC decidiu ainda multar o semanário por este não ter apresentado a respectiva ficha técnica junto com os resultados da sondagem, publicados na revista “Única”.

Em causa está uma queixa de Paulo Trancoso, presidente do Partido da Terra, contra uma notícia do jornal “Expresso”, publicada na edição de 18 de Março passado, relativa à aceitação das centrais nucleares pelos portugueses e que tinha por título “Nuclear sim, obrigado!”, antecedido de “Estudo Expresso/Eurosondagem revela que maioria dos portugueses quer construção de central”.

A queixa de Paulo Trancoso apontava a inexistência de estudos que sustentassem a notícia, o que a ERC rebateu, dizendo que “os dados divulgados [na notícia] constam de um estudo/sondagem devidamente identificado, de cujo questionário também constavam perguntas sobre o sentido de voto num eventual referendo sobre a construção de centrais nucleares no nosso país”.

A Entidade Reguladora salienta ainda que os elementos publicados na edição do “Expresso” de 18 de Março, especialmente no suplemento “Única”, facultam ao leitor a informação necessária à formação de uma opinião esclarecida sobre o recurso à energia nuclear, pelo que “não está, assim, em causa o trabalho jornalístico que rodeou a investigação produzida pelo semanário, no seu conjunto”.

Todavia, a ERC critica a forma como a matéria foi apresentada na primeira página do “Expresso”, considerando que o título e o ante-título contêm “uma margem menos rigorosa de extrapolação do inquérito levado a cabo”.

“Onde o estudo de opinião inquiria os cidadãos sobre a sua resposta num (eventual) referendo sobre a (não menos eventual) construção de centrais nucleares em Portugal, veio o periódico atribuir à “maioria dos portugueses” a vontade de construção de tais infra-estruturas energéticas. O que introduz, na informação publicada, um elemento volitivo estranho à neutralidade do inquérito”, lê-se na deliberação.

Perante isto, a ERC entendeu que o “Expresso” fez passar a tese – “não consentida pelo questionário da Eurosondagem” – de que os portugueses apoiariam a iniciativa de construção de centrais nucleares, o que ficou reforçado pela alteração do slogan “nuclear não, obrigado”, que causou “acrescido prejuízo para o rigor informativo exigível ao jornal”.

Assim, o Conselho Regulador da ERC, deliberou que “a titulação e o destaque dados, em primeira página, às conclusões da sondagem de opinião subjacente não reflectem fielmente o sentido da questão nela colocada, pelo que enfermam de falta de rigor jornalístico e traduzem uma prática que deve ser, de futuro, evitada”.