ERC averigua acusações à RTP

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) ouvirá, dia 30, os intervenientes na polémica estabelecida pelo crítico Eduardo Cintra Torres ao acusar a RTP “de ter minimizado, voluntariamente, a importância e gravidade dos incêndios que se verificavam no país, mais sendo invocado que esta decisão teria resultado de ‘ordens directas do gabinete de Sócrates’”.

O Conselho Regulador (CR) da ERC, na nota à imprensa em que anuncia a sua intervenção no caso, afirma ter “presente a gravidade das acusações veiculadas” no artigo publicado no “Público” de dia 20, e lembra que nos termos da lei “lhe cabe assegurar nos meios de comunicação social ‘[a] independência perante o poder político e o poder económico’”.

Para o CR da ERC, os factos e as normas legais “justificam e impõem, no caso concreto, uma intervenção imediata”, pelo que “deliberou iniciar um procedimento para averiguação sobre os factos e comentários” referidos. Entretanto, a 24 de Agosto, deu entrada nos serviços da ERC uma queixa da RTP relacionada com o artigo de Eduardo Cintra Torres.

No artigo de opinião, o crítico apresentou o número de notícias e o tempo de duração da informação sobre incêndios divulgada pelos três canais de televisão generalistas no dia 12 de Agosto e concluía que a RTP “não cumpriu as suas próprias orientações”, por não ter feito qualquer directo e ter dedicado ao tema apenas 3,8 por cento do tempo do Telejornal.

Eduardo Cintra Torres acrescentava que “o governo está a recorrer a métodos ilegítimos para impedir a informação livre aos cidadãos de Portugal sobre os incêndios, quer no terreno, quer nas instruções que dá à RTP”.

O director de Informação da RTP, Luís Marinho, reagiu de imediato às acusações, desmentindo-as, e a RTP anunciou que iria processar judicialmente o crítico e apresentou queixa à ERC.