Edição de jornal lituano confiscada pela polícia

Agentes de segurança da Lituânia apreenderam a 8 de Setembro as 15 mil cópias do quinzenário “Laisvas Laikrastis”, cuja edição continha uma história de corrupção política, alegando que o artigo divulgava informação secreta.

No âmbito deste caso foi também detido temporariamente o editor do jornal, Aurimas Drizius, interrogado por dez agentes à paisana que procederam ainda a buscas na redacção do quinzenário em Vilnius, capital do país, e na casa do editor, tendo sido confiscados os discos rígidos dos seis computadores da redacção e do computador de casa de Aurimas Drizius.

O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) já considerou a ocorrência “deplorável” para a democracia do país e instou as autoridades lituanas a devolverem o material confiscado e a investigarem como pôde ocorrer este “abuso de poder”.

Entretanto, o editor Aurimas Drizius revelou ao CPJ que, de acordo com a polícia, “o equipamento poderá ficar retido durante meses, enquanto durar a investigação”, o que irá lesar gravemente o trabalho dos jornalistas.

A peça que motivou a actuação da polícia incluía transcrições de conversas telefónicas entre políticos e um operador de um casino, e implicavam os primeiros em corrupção.

De acordo com Aurimas Drizius, não faz sentido o jornal ser acusado de revelar segredos de uma investigação a decorrer quando as gravações datam de 2004 e, de então para cá, ninguém ouviu falar de qualquer investigação sobre o assunto.

As conversas, registadas há dois anos por agentes da segurança, foram facultadas ao jornal por fontes que pediram anonimato, algo que Aurimas Drizius pretende respeitar, tendo-se recusado a identificá-las durante o interrogatório de que foi alvo.

Apoiando a publicação, o Sindicato dos Jornalistas Lituanos classificou o sucedido como “um gesto de censura” e alertou que, ao levar os discos rígidos dos computadores, o departamento de Segurança impede o jornal de operar, o que configura uma inconstitucionalidade.

Entretanto, o presidente do país, Valdas Adamkus, manifestou-se chocado com o ocorrido e afirmou que o departamento de Segurança do Estado teve uma acção “contrária aos princípios democráticos”, uma vez que toda a informação de interesse público deve ser divulgada.