Comunicação social fortemente condicionada pela greve

O Sindicato dos Jornalistas saúda todos os trabalhadores que aderiram à greve geral deste dia 3 de junho e sublinha a forte adesão entre os jornalistas. A paralisação está a afetar a comunicação social de forma visível e audível, apesar dos esquemas e estratagemas de algumas hierarquias, como a contratação de serviços externos e o recurso a estagiários.

O primeiro balanço possível revela já o impacto substancial da greve geral nos meios de comunicação social. Pelo meio-dia, registavam-se fortes constrangimentos à produção noticiosa, seja no setor público ou privado, em grandes grupos mediáticos ou redações locais. Está claro que a classe jornalística rejeita a perda de direitos que o governo quer impor a quem trabalha.

O serviço da Agência Lusa está paralisado. A agência não divulga notícias desde madrugada, tendo a Direção de Informação assumido o fecho da linha. Luta-se contra o pacote laboral, pela independência da agência noticiosa pública, e por melhores condições de trabalho. Temas comuns ao serviço público de rádio e televisão, motivando uma adesão substancial. A Antena 3 não tem tido qualquer noticiário, ausência clara na Antena 1 toda a madrugada, e novamente desde as 11h, impedindo a transmissão dos programas Consulta Pública e Portugal em Direto. Na televisão, estão totalmente ausentes as secções de política, cultura e online em Lisboa, restando poucos elementos da sociedade. Compareceu apenas um repórter de imagem, em Lisboa, Faro e Coimbra.

Apelamos a que reportem ao SJ a adesão nas vossas redações. E que indiquem violações ao direito à greve, para as denunciarmos. Têm sido relatadas não só pressões de chefias, como trocas de turno em cima da hora, e até a (ilegal e inaceitável) contratação de elementos externos para substituir grevistas e o recurso a estagiários em redações afetadas pela paralisação.

É o que nos indicam ter acontecido na Media Capital, que contratou três repórteres de imagem à EMAV, sem estarem habilitados com carteira profissional, para tentar esconder a mobilização expressiva na TVI/CNN: esta manhã faltaram 90% dos repórteres de imagem, e todas as jornalistas sem funções de editoria (ou sujeitas a um regime de estágio) nas secções de economia, política, e internacional, e essencialmente todas na sociedade.

Também na SIC podemos reportar uma adesão de mais de 65% ao protesto em vários turnos, reduzindo o online a uma única pessoa, e paralisando quase totalmente a redação de Matosinhos. Na redação do Porto, a adesão chegou a mais de 75%. Ainda na Impresa, a secção de sociedade do Expresso está cortada para metade. Ainda no serviço privado, a TSF ficou reduzida a uma única jornalista nos dois turnos matinais, impedindo as sínteses à meia-hora e programas como o Fórum TSF.

Destaque ainda para a forte adesão no jornal Público, reconhecida em nota da direção editorial (que planeia fazer publicar, ainda assim, uma versão mais curta amanhã), e total das redações do Sete Margens e d’A Voz do Operário.

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