Assassinato de três jornalistas motivam reacções

As mortes dos repórteres alemães Karen Fischer e Christian Struwe, no Afeganistão, e da jornalista Anna Politkovskaya, na Rússia, motivaram reacções de diversas organizações e governos, que instaram as autoridades afegãs e russas a investigar devidamente os casos e a levar os culpados perante a justiça.

A morte de Anna Politkovskaya, conhecida em todo o mundo pela sua postura crítica do conflito na Chechénia e das tendências autoritárias do presidente russo Vladimir Putin, gerou uma onda de indignação local e internacional.

Em comunicado, a presidência finlandesa da União Europeia condenou o “crime ignóbil” da jornalista e instou a Rússia a levar os responsáveis perante a justiça, uma exigência também feita pelo Conselho da Europa, pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e pelo Departamento de Estado dos EUA.

Apelo similar no sentido de que seja feita justiça foi lançado por Joanne Leedom-Ackerman, secretária internacional do PEN Internacional, que recordou a repórter do “Novaya Gazeta” como “uma defensora clara dos direitos humanos” em todo o mundo.

Até ao momento, o Presidente russo Vladimir Putin manteve-se silencioso acerca do assassinato de Anna Politkovskaya, que vai a sepultar no dia 10 e que, ao que tudo indica, terá sido morta por motivos relacionados com o seu trabalho jornalístico.

Na sua última entrevista, dada no dia 5 de Outubro à Radio Svoboda, a repórter revelou que pretendia testemunhar contra o primeiro-ministro checheno Ramzan Kadyrov e anunciou que iria publicar a 9 de Outubro uma investigação sobre práticas de tortura exercidas pelas milícias pró-russas daquele governante. Segundo Dimitry Mouratov, chefe de redacção do “Novaya Gazeta”, parte das notas da jornalista estão com o jornal e serão publicadas.

Reacções à morte de jornalistas alemães

Exigindo acções ao mais alto nível para garantir a segurança futura dos jornalistas no Afeganistão, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) demonstrou todo o seu apoio à Associação Afegã de Jornalistas Independentes (AIJA) e ao Comité para Proteger Jornalistas Afegãos (CPAJ), organizações que agendaram para hoje, 9 de Outubro, grandes protestos para Cabul e para quatro províncias, na sequência do assassinato dos repórteres ao serviço da Deutsche Welle.

A FIJ revelou-se ainda profundamente preocupada com a detenção prolongada do jornalista de rádio Abdul Qudus, preso há oito meses sem qualquer acusação fundamentada.