95 jornalistas morreram em 2018

FIJ apresentou relatório que revela subida de 12 vítimas face a 2017. 

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) revelou, no relatório “In the shadow of violence: journalists and media killed in 2018”, que 95 jornalistas e profissionais de media morreram, vítimas de “assassínios planeados, ataques à bomba ou em fogo cruzado”, número que representa uma subida de 12 mortes por comparação com 2017.

Iémen, Índia, México, Afeganistão e Síria são os países onde se registaram mais vítimas, enquanto a região sul da Ásia permanece como a mais perigosa para os jornalistas. 

O relatório indica que esta subida acontece “num contexto de crescente polarização de opiniões à escala mundial com o aumento de perigosas forças nacionalistas e populistas em muitos países e a estigmatização de jornalistas e media por políticos e inimigos da liberdade da imprensa”.

O documento também aponta a impunidade planetária como explicação para que 90% das mortes de jornalistas continuem sem culpados, uma vez que as autoridades, muitas vezes, “não realizam investigações credíveis aos crimes”. 

Philippe Leruth, presidente da FIJ, afirma: “Estes números trágicos recordam-nos do nosso dever de agir e responsabilizar governos pela falta de investigação em crimes contra jornalistas. Precisamos de um instrumento internacional que obrigue todos os Estados a agirem para que parem os assassínios de jornalistas e os criminosos sejam levados à justiça. O nosso documento Convention on the Safety and Independence of Journalists and other media professionals pode concretizar isto”.

A Convenção “dirige-se aos principais pontos fracos do regime legal internacional e apresenta um instrumento específico para a situação dos jornalistas, garantindo mais efetiva aplicação da lei internacional, assegurando ainda um ambiente de trabalho mais seguro para os profissionais e proteção adicional à liberdade de imprensa”.  

A FIJ “reuniu-se com governos, delegações lóbistas e missões nas Nações Unidas para angariar apoios” em relação ao documento, além de ter conseguido “uma coligação de organizações de media e profissionais que apoiaram a iniciativa”. 

O secretário-geral da FIJ, Anthony Bellanger, indica: “Sempre que um jornalista é morto, não se trata apenas do sofrimento do indivíduo, da família e do meio de comunicação. À própria sociedade é negado o direito à livre circulação da informação e às visões dos jornalistas, com receio pelas suas vidas, quando um jornalista é silenciado pela arma de um assassino”.